De forma totalmente imprevista (espero que se consiga saborear o sarcasmo que esta palavra carrega) o mês de Janeiro começa com notícias (+/-) falaciosas mas que espelham a insuficiência do maltratado SNS.
Paciente amontoados em corredores que lembram uma qualquer "Green Mile" dos estabelecimentos prisionais do Texas (sim tinha que fazer uma referência ao Faroeste porque não andamos muito longe), história de pessoas que esperam éons e morrem à espera na triagem ou criaturas que por mais que tentem não conseguem consulta com o médico de família porque das duas três ou está de férias ou reformou-se ou está de licença de parto (as desculpas mais populares quando dos que conseguem chegar à triagem conscientes).
e.....
Ora bem vamos lá ver porque cargas de água colapsam os serviços hospitalares de urgência?
O mediático atulhar de pacientes nos corredores das urgências deve-se a um acúmulo de decisões a praticamente todos os níveis do sistema nacional de saúde que não deixa ninguém ileso.
À cabeça um serviço que trabalha no limite das suas capacidades 275 dias por ano (para os que não sabem o Inverno tem 89-90 dias) é normal que transborde por qualquer incremento do número de pessoas a que ele recorre agravado por uma lotação finita nos departamentos que recebem os que efectivamente necessitam de ser hospitalizados.
Quanto ao aumento da procura podemos identificar vários factores:
(Ponto 1) É Natal
A poluição, que o cidadão pedestre luta para entender no meio da confusão do é grave, não é e que os políticos se esforçam por esquecer porque pertence a uma pasta que só serve para enterrar dinheiro, favorece a reagudização de processos respiratorios e cardiovasculares e não é só a longo prazo!
Paciente amontoados em corredores que lembram uma qualquer "Green Mile" dos estabelecimentos prisionais do Texas (sim tinha que fazer uma referência ao Faroeste porque não andamos muito longe), história de pessoas que esperam éons e morrem à espera na triagem ou criaturas que por mais que tentem não conseguem consulta com o médico de família porque das duas três ou está de férias ou reformou-se ou está de licença de parto (as desculpas mais populares quando dos que conseguem chegar à triagem conscientes).
e.....
Ora bem vamos lá ver porque cargas de água colapsam os serviços hospitalares de urgência?
O mediático atulhar de pacientes nos corredores das urgências deve-se a um acúmulo de decisões a praticamente todos os níveis do sistema nacional de saúde que não deixa ninguém ileso.
À cabeça um serviço que trabalha no limite das suas capacidades 275 dias por ano (para os que não sabem o Inverno tem 89-90 dias) é normal que transborde por qualquer incremento do número de pessoas a que ele recorre agravado por uma lotação finita nos departamentos que recebem os que efectivamente necessitam de ser hospitalizados.
Quanto ao aumento da procura podemos identificar vários factores:
(Ponto 1) É Natal
Por um lado, depois da paralização natalícia (porque sim, nesta época de solstício exceptuando alguns redutos [tipo o Serviço de Medicina - CHAA em que os médicos estão impedidos de tirar férias], os centros de saúde, as consultas externas e até mesmo as clínicas privadas, diminuem a produção) e se durante o ano CS já não têm vagas para os utentes em visitas esporádicas, em pleno clímax da epidemia gripal a melhor resposta deste é com sorte uma visita programada 1 semana depois do início dos sintomas. Sinto muito, mas uma Unidade de Saúde Primária que não consiga observar em Primeira Instância em tempo útil deixa de o ser para passar a ser uma unidade de gestão do doente crónico estável ou do "doente" sem patologia. E o pior disto tudo é que neste caso os pacientes crónicos que desestabilizam pela chegada do frio, níveis de contaminação elevada e as múltiplas infecções respiratórias complicadas, que já fazem tão parte desta quadra como as rabanadas, têm que ir procurar ajuda noutro sítio!
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| Sim estes são os donos da BES (desculpem) NBSaúde, Trofa Saúde e Grupo Mello |
(Ponto 2) Burocracia
Por outro lado se bem que me canso de repetir paciente sim, paciente também que há 5 motivos para não procurar um médico É GRIPE, há um que obriga a todo Cristo e o seu gato vir à Urgência.
As barreiras burocráticas existem para regular os excessos, check!
Mas em todo o estado de direito (mediterrânico), mais cedo ou mais tarde acabam por ser inutilmente excessivas ou astuciosamente laxas.O que me preocupa é ninguém pensar que efectivamente em períodos de crise ou aumento de afluência não haja uma flexibilização destes muros com repercussões nefastas para todos os níveis de assistência sanitária mas particularmente chatas nas urgências que deviam ser altamente selectivas.
(Ponto 3) Poluição
A poluição, que o cidadão pedestre luta para entender no meio da confusão do é grave, não é e que os políticos se esforçam por esquecer porque pertence a uma pasta que só serve para enterrar dinheiro, favorece a reagudização de processos respiratorios e cardiovasculares e não é só a longo prazo!
A sério, não é só o activista do Greenpeace em mim a falar, leiam as conclusões deste estudo de 2010 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). No entanto o povo quase se espuma da boca quando proíbem carros dignos de museu nos centros ou se se aconselha uso de transportes públicos e o Estado não entende que o dinheiro que não arrecada nos títulos de viagem e nas infraestruturas de um sistema de transportes inteligentes poupa em gastos astronómicos de internamentos de DPOC's agudizadas e afins... Sim filhotes, está tudo interligado...
A paz, o pão
habitação saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade (e coragem) de mudar e decidir (com cabeça tronco e membros)
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| (Alguém se lembra desta música?) |
(Ponto 4) O frio
Eu não sei mas quando eu andava na escola falava-se que o INVERNO...
É FRIO!
E mais tarde depois de muito ouvir dizer a minha avô que apanhar frio dava em pneumonia, razão pela qual muitas vezes andei encasacado até aos olhos, aprendi (já na faculdade) que o frio é factor de risco para agudização de algumas doenças crónicas, afectando especialmente as idades extremas
Para quem não sabe o que é "pobreza energética" que se sinta muito pequenino quando reparar que até já existe um organismo europeu dedicado à coisa -EU Fuel Poverty Network- e definem-na como a incapacidade para custear os níveis básicos de energia para o adequado aquecimento, confecção de alimentos, iluminação e uso de electrodomésticos básicos. Mais curioso é a percentagem de lares que configuram este quadro sendo o seguinte quadro autoexplicativo
E isto são dados do Reino Unido, imaginem o caso português.
Pois é...
Não é preciso ser dotado em SPSS, em Bioestatística ou mesmo Matemática teorética/aplicada para relacionar o aumento da taxa de mortalidade no Inverno país com a "pobreza energética" deste rectângulo à beira mar plantado. Mas descanse o comum mortal que não possui estes skills essa relação já foi feita... não em Portugal porque aqui não se faz nada que possa piorar os números que tão primorosamente embelezamos para Sra. Europa.
Para quem se dá ao trabalho no pubMed se escreveres "fuel poverty" encontras 30 artigos, 12 dos quais nos últimos 5 anos, o que alerta para a relevância actual do tema.
O que nos dizem esses artigos?
- Versão TVI (extracto verbatim Harrington BE, Heyman B, Merleau-Ponty N, Stockton H, Ritchie N and Heyman A (2005) Keeping warm and staying well: findings from the qualitative arm of the Warm Homes Project. Health and Social Care in the Community, 13(3), pp.259–267)
Entrevistador: Passa frio na sua própria casa, que efeito tem esse facto na sua vida em geral?
Entrevistado: Terrível. Algumas vezes deitámo-nos às 19h e quem vem visitar-nos com frequência, sabe que não faz sentido vir depois dessa hora porque sabe onde vamos estar. O melhor para nos é subir as escadas e metermo-nos na cama debaixo das mantas para nos mantermos quentes.
(engane-se quem pense que estamos a falar duns jovens de 80 anos, trata-se de um casal de meia idade!) - Versão científica (De Vries. Fuel poverty and the health of older people: the role of climate. J Public Health. 2013. (link)
Neste texto em concreto tratarão de procurar se as alterações climáticas em Inglaterra podiam explicar 1) as variações na taxa de pobreza energética e 2) a variabilidade entre o efeito provocado pela pobreza energética e os resultados em saúde.
Apesar das limitações do estudo o clima não parece ser um factor associado a estas alterações, no entanto a pobreza energética relacionava-se de forma significativa com as patologias do foro respiratorio e com o desenvolvimento de depressão - a título de curiosidade um outro estudo que se debruçava sobre o efeito de acções de sensibilização para optimização de custos energéticos conclui que os consumidores com baixo rendimento parecem ter uma considerável apatia em relação à mudança de tarifas energéticas, apesar das potenciais poupanças e benefícios em termos de saúde; em parte devido ao facto de terem umas vidas complicadas nas quais a mudança de tarifa energética não é uma prioridade. Uma intervenção independente, personalizada, "um a um" conseguiu promover a mudança, especialmente nas famílias mais jovens. No entanto, as pessoas de maior idade ainda experimentam dificuldades para mudar de tarifa pelo que necesitariam de intervenções específicas que tenham em conta a sua resistência à mudança e os seus hábitos de uso energético e cepticismo.
- Versão em primeira pessoa (eu VMERdico [se fosse entrevistado para a TVI] ou então esta tarde a "discutir" com o INEMeiro que me estava a aturar hoje)
«É impressionante a quantidade de pessoas que a menos de 6km do centro do Porto vivem em casas sem nenhum tipo de suporte energético para manter uma temperatura habitável em casas que nem classificação alfabética tem no certificado energético»
E no que concerna à dificuldade logística para dar saída aos paciente que precisa de ser internados no Hospital?
Pois mas não dá jeito... não há mais remédio senão dar altas precoces com os resultados à vista (estranhamente os reinternamentos não entra nas contas dos controlos de qualidade), e mesmo que se abra todas as vagas não há pessoal para atendê-las e não não estou a falar só de médicos!
É preciso enfermeiros, é preciso auxiliares,...
ou pelo menos uma gestão inteligente dos recursos que já temos... 'pera lá
e se, sabendo que nestas épocas os serviços de Ortopedia, ORL, Urologia, Oftalmologia, Ginecologia podem funcionar a meio gás uma vez que internam essencialmente procedimentos em diferido fossem restruturados para receber as hordas de doentes que encharcam a capacidade do Hospital?
Não é que isso não seja feito já, não há interno de Medicina que não passe a manhã no elevador (ou na versão health freak nas escadas) a visitar doentes por todo o Hospital.
Mas por ser feito encima do joelho nem os profissionais que recebem os doentes (enfermeiros de Medicina é diferente de enfermeiro de ORL que é diferente de enfermeiro da UCI) nem as especialidades que recebem doentes tem espaço para o "business as usual" deixando qualquer Chefe de Equipa do SU a braços com a hercúlea tarefa de decidir onde meter tanta gente e supostamente o Chefe de Equipa é muito mais que isso.
Como resultado disto e do facto do SNS se encontrar à beira do abismo da insustentabilidade, empurrado por Orçamentos de Estado autistas e completamente desligados da realidade, alavancados pela ganância do lobby privado mais o descontentamento que grassa nos profissionais de saúde que em vez de trabalharem para um objectivo trabalham para manter o nível de vida, o colapso não é de estranhar nem muito menos que seja maior a cada ano que passa porque não há soluções cabais que frenem o deterioro com matizes cumulativos.
E sai um martelado qualquer na televisão nacional a dizer "ainda esta semana contratamos mais 1500 médicos".
E a estupidagem deste país come e não pensa que esta frase é falaciosa por tudo o que foi dito anteriormente mais o facto de dito martelado se estar a referir aos médicos INTERNOS de Ano Comum e Formação específica que vieram parar ao Hospital em pleno pandemónio!
Repito
O pessoal que trabalha(mos) na Urgência nesta altura do ano faz um esforço titânico para atender nas melhores condições possíveis a avalanche de doentes que tem que atender mas a capacidade de ditos serviços JÁ SE ENCONTRA NO LIMITE.
Limitar os planos de gestão dos períodos de maior afluência à contratação de pessoal de urgência e em concreto apenas a médicos dá ideia de que a única coisa que preocupa às administrações são os títulos mediáticos do estilo "Doente morre na sala de espera antes de ser visto pela triagem médica", esquecem-se que imediatamente os Media que sabem farejar notícias sumarentas a quilómetros rapidamente vendem títulos do estilo "Doente morre no corredor por não ter vaga monitorizada" ou "Valor/hora de médicos do Amadora-Sintra bate novos recordes". O primeiro aparecerá nos jornais da oposição e o segundo nos do Governo que tenta demonizar uma das classes de profissionais que participam na Urgência.
Para saúde dos paciente, do SNS e dos próprios profissionais submetidos a uma pressão assistencial brutal durante esta época do ano as medidas de gestão dos picos de afluência devem ser pensadas em Dezembro por avaliação do estado, resolvidas em Dezembro e postas em práticas até ao próximo Dezembro para avaliar de novo, abrangendo os Ministérios da Saúde, da Economia, das Finanças, da Segurança Social, que de uma forma ou de outra são os realizadores desta triste tragicomédia a que assistimos todos os anos.
Não se pode deitar a culpa só aos vírus HxNy, especialmente se a época da Gripe a sério ainda nem começou. Tão importante é tomar as medidas certas como fazer um diagnóstico correcto da situação, porque acreditar que estamos a passar o pior da epidemia gripal 2014-2015, é completamente ridículo conforme qualquer epidemiologista poderá corroborar.
Algumas coisas custa dinheiro para fazê-las e ter um sistema de saúde no qual os recursos profissionais e materiais não estão constantemente a 200% da sua capacidade é uma delas - apesar de haver questões de funcionamento que se podem e devem fazer sem custo extra de recursos económicos, mas ninguém fala disso - mas é certo que é enormemente superior o gasto em manter pelas pontas um sistema que já foi de excelência tendo em conta as condições históricas do país, já para não falar de lamentável e altamente desmoralizador graças a (nós) trabalhadores com a língua de fora, mão estendida e de costas para os doentes e para os chefes.
Se és uma pessoa saudável (não tens mil anos, uma patologia crónica ou está grávida [a sério fisiológicamanente é o tumor de desenvolvimento mais rápido à data]) e tens um síndrome gripal [febre (37.5, paracetamol 1000mg 8/8h), rinorreia (vulgo "pingo"), tosse pouco produtiva, espirros, dores no corpo]
lembra-te há 5 motivos para não ver um médico:
1.- Uma vez que contraíste um HxNy qualquer o tratamento não é curar a doença senão tratar (aliviar) os sintomas. Como me diziam em castellano “La única cura para la gripe es pasarla.”
2.- Se não houver nenhuma complicação não é necessário que te prescrevam antibióticos. A gripe está causada por um vírus, não por uma bacteria, portanto os antibióticos não curam nem aliviam nem encurtam porra nenhuma.
3.- O melhor tratamento para a gripe é descansar, beber líquidos abundantemente (de preferência quentes), evitar álcool e tabaco (ou cenas :P) e tomar um antipirético (leia-se paracetamol, Ben-U-Ron 1000mg se > 40Kg/>12anos 8/8h e na loucura ibuprofeno 400mg, Brufen intercalado) de preferência de pantufas e com o pijama de flanela que a tia-avó Micas te ofereceu
4.- Cada indivíduo em média contagia o vírus a uma ou duas pessoas. Se tiveres gripe vais contagiar mais gente quanta mais gente contactares. Se pelo contrario estás apenas com uma constipação comum vais ser sobreinfectado com gripe. Evita locais fechados o com aglomerados por ser mais fácil a transmissão (sim a sala de espera é um desses)
5.- Está descrito na literatura médica que só é produtivo consultar um médico se e só se durar mais de 7 dias o quadro .
só tens mais remédio e ir se:
por alguma estúpida e burocrática forma de controlar a prescrição de certificados de incapacidade temporal e a estultícia da tua empresa, fazem com que seja obrigatorio a apresentação de um papelucho para certificar a tua doença e impossibilidade para trabalhar.
Além disso se vives em Portugal, assegura-te de que vais no 1º dia em que te sentes mal, porque graças À falta de civismo típica deste chicoespertismo tão português, o (des)Governo Português não permite que sejam passadas baixas com efeitos retroactivos e se trabalha ao fim de semana ou após o fecho do seu centro de saúde lixa-se que no Serviço de Urgência garantimos que se não tinha sai de cá com uma e não leva papel de jeito para estar de molho à vontade.
Três meses volvidos e eu acho que já estou embrenhado na personagem de médico de urgências! e posso finalmente estabelecer uma definição da minha condição sociolaboral e hierárquica na escala filogenética da carreira médica:
Para os pacientes és visto de duas maneiras possíveis
1 -> representante de uma entidade divina (hospital) que existe para corrigir e encurtar as distâncias temporais entre o paciente e o acesso à Medicina a sério, uma vez que o seu CS ou MF são filhos de deuses menores e coitados não podem fazer mais que dispensar receitas, P1's, atestados e vitaminas.
2 -> ser preguiçoso, pachorrento e despojado de alma que deixa propositadamente gerarem-se filas de espera que dão a volta ao Hospital, e que sonega o direito inalienável de poder internar velhos e estorvos (pleonasmo?!) ou dar seguimento a sua digníssima patologia a um médico especialista que este precisa sempre e desesperadamente nem que seja por uma unha encravada no pé.
No primeiro caso és tratado com reverência sendo colocado em ti a expectativa de ter tempo para dedicares às maleitas mais incólumes ou males psicossociais que merecem do clínico mais que 15min que reservam as guidelines de boas práticas/gestão do SU. Mas sim tens que ser tu a resolver o sd gripal que vai no terceiro dia com 4 já de medicação autoproposta e revista no canto de uma consulta do filho que também está doente como aliás os primos que vieram de Mogege, so on and so forward. Não é que eu não ache digno de se resolver mas isso é outro post e alguém me disse que devia ser mais sintético por isso...
No segundo caso, és um sacana.. um ser desprezível que existes para desperdiçar tempo enquanto enches os bolsos com o dinheiro dos contribuinetes que coitados descontam para que lhes seja dada a prioridade verde mesmo tendo em conta que hoje lhe dói o pé (tal como nas últimas três semanas) e não passa apesar de ter esfregado -escreva aqui qualquer unguento da sua preferência - mas não tomou um mísero paracetamol (que isso não faz nada, tipo É SÓ O PILAR FUNDAMENTAL DA ANALGESIA e mais barato que um creme de symphytum officinale) e teve um enfarte há 3 anos!!!
Não é que a hiperhomocisteinemia não seja uma coisa importante mas a relação entre o enfarte e dor articular não é o teu primeiro pensamento quando abordas um caso destes e certamente não é do conhecimento geral. Mas pronto para quem se graduou em 2010 e estava certo, CONVENCIDÍSSIMO que ia ser um internista, estou bem longe do que me tinha proposto inicialmente. O certo é que após ter começado a trabalhar no SU e depois de conseguires habituar-te à posição que ocupas na hierarquia do Hospital era mesmo isto que eu queria (com uma ou duas ressalvas inerentes à orgânica actual do SNS)
As doenças, o ritmo, os procedimentos e o desafio do diagnóstico e entreveres uma conclusão brilhante no meio de queixas indiferenciadas e... as pessoas com quem trabalho no SU são o meu tipo de pessoa: com a PDM, com ADHD "em último grau", sempre entusiasmados ao imaginar o que se esconde na lista de espera hoje, hands on approach especialmente se é laranja ou vermelho. Além do mais e acima de tudo aquela sensação de trabalho feito, de que fazes a diferença na hora. Nada bate a sensação de conseguires dar a volta a um Edema Agudo de Pulmão já que a expressão de alívio no doente é imediata.
O único downside é descobrires rápidamente que tens um limite. Não são os turnos seguidos, não são os doentes mal triados ou sem razão para entupir as urgências, é a saturação colectiva apercebida de cada vez que pedes um favor a um enfermeiro, passas um doente às especialidades ou comentas a inactividade dos teus colegas ante a monstruosa lista de espera que parece que só tu vês. Somado ao stress de teres 10 doentes sob observação com o que isso implica chamadas a fazer, procedimentos a realizar, orientações a pedir e so on an so forward...
Afasta-se um bocado daquilo que a gente vê no ER ou Gray's Anatomy ja que o ratio de ressuscitações bem sucedidas : gajas boas (doentes e colegas) : gripes é muito diferente (p'r'aí 0:1:298731648) :) mas no fundo no fundo não me vejo a fazer outra coisa
Tenho informações importantes a comunicar à OMS que podem muito bem configurar a inclusão de uma nova doença no ICD.
Verborreia crónica - doença que se caracteriza pela incapacidade do sujeito de se manter calado em situações em cujas todas as convenções sociais o obrigam a guardar silêncio para não agitar as águas que se querem estagnadas ao ponto de permitirem a proliferação de microorganismos saprótrofos (do grego σαπρός "saprós", podre + τροφος "trofos", alimentar).
Agora a sério, fico fodido... todos os dias perco uma oportunidade para estar calado! E ainda assim, com toda a experiência que tenho em analisar o porquê de estar na posição em que estou continuo sem perceber como é possível equilibrar o silêncio e a palavra sem estalar o verniz social com que aprimoradamente toda a gente se anda para a aí a embelezar.
Não é o que eu não saiba o que digo, não é isso! Aliás no "aftermath" toda a minha gente diz: "Ah e tal e o camandro, até falas bem, e coiso, mas não podes dizer isso, que tu depois fodes-te..." e fodo mesmo, normalmente têm sempre razão nesse aspecto.
Não é que eu tenha problemas nesse departamento my sex life is A-OK, mas até mesmo naquelas noites S&M mais agressivas eu posso gritar basta e voltamos à normalidade sem ressentimentos, na vida real não! Há sempre mossas ou mazelas que nem com Hirudoid®.
Qual é o problema em discutir? Porque é que as pessoas têm pruridos na hora de argumentar as suas posições, dar um murro na mesa, enfatizar via decibéis esta ou aquela posição? Afinal não é importante estar seguro das nossas convicções? Não é suposto e normal ser capaz de as assumirmos ante os outros independentemente da reacção contraditória que possam provocar? Ora de que serve sabermos o que queremos, o que acreditamos se depois na prática é tudo sujeito ao escrutínio do socialmente aceite?
Recuso ser um formatado pela sociedade! Já não tem nada a haver com a rebeldia de adolescente ou a postura de jovem que vai mudar o Mundo, been there, done that, acho que já saltei essa fase (sim considero-me um jovem), agora vou no think global, act local, e 'tou a arrumar o meu "quarto". Nesse aspecto tenho que ser coerente e actuar de acordo com o que eu penso de forma genuína, afinal só assim poderei validar a pertinência e consistência dos fundamentos que alicerçam as minhas posições.
Parece lógico, não?
Mas não é, como praticamente tudo o que me foi ensinado em criança, a realidade vem e troca-me as voltas por completo... o que o povo quer é cenas simples. Sem stress, sem confusão, sem paixão, sem ondas, cenas fáceis, vá lá. Debater dá muito trabalho, temos que pensar o que justifica a nossa atitude com premissas que muita das vezes vamos a ver e são colagens de um qualquer modelo que adoptamos por estar mais à mão ou ser mais consensual e portanto carecem de um verdadeiro alicerce que possamos expôr à violência de argumentos bem montados. E pior ainda podem levar a tomadas de atitudes que implicam alterar o esquema habitual das coisas, que então sim dá muito trabalho.
As conversas hoje em dia reduzem-se à circunstância, situações concretas sem valor e cordialidades várias decorrentes das boas maneiras que espremidas não aportam mais do que a linguagem corporal que pode deixar antever mais do que o que o diálogo per se. Por isso é frequente que quando na ausência de um buraco para se esconder quando se fala de "cenas" realmente importantes normalmente o interlocutor, que se está nas tintas para tudo o que implique trabalho, se defenda na análise da sintaxe ignorando a semântica, esta última arquitectada sobre a solidez do que acreditamos. Isto não é nada de novo, é uma arte em que a população feminina leva a palma a qualquer um dado que é frequente diálogos do estilo desde as eras das cavernas conforme veremos noutro post.
Irrita-me! Não dá para falar nada, sobre nada, que saia fora da rotina que implique algo mais do que um acenar de cabeça e um "hmmmmm, hmmmmm". Toda a minha gente até pode achar logo que quero mudar o mundo, que sou um iludido, que não vou chegar a lado nenhum, etc..., mas é que nem dão hipótese de diálogo inteligente e construtivo sobre o assunto e quando dão escondem-se nestas frases feitas que são fixes para rematar qualquer conversa sem o esforço de se debruçar sobre a questão no sentido de serem dois à procura de alternativas! A alternativa é sempre "deixa arder, que não me queima". E depois eu irrito-me!
Caso prático, isto é um suponhamos... Vamos supor que os aprendizes de um certo hospital são obrigados, por decreto de lei a aceitar serem sodomizados durante 12h por semana. Por decreto, são também excluídos do grupinho que acumula sodomia, felação e coito pagos em obscenas quantias mas que na realidade delega essas actividades aos aprendizes que também foram chulados no rendimento que obtém. Assim a condição de ser sodomizados essas 12h é ainda por cima mal paga! E como se não bastasse ninguém explica que se pode usar vaselina e que há posições em que dói menos, portanto 12h de sodomia, mal pagas e sem formação. Vamos agora supor que esses aprendizes se agrupam e descobrem que são em grande número e que portanto podem negociar e até têm no grupo quem disso faça bandeira e leve avante a vontade de contrariar a corrente. E essa pessoa trabalha e faz e agita e avança e comunica e reúne e tenta e tudo e mais um par de botas no sentido de reunir o consenso dos soon to be assholes e nada... ninguém diz nada! Ora bem das duas, três... ou todos gostam de ser sodomizados ou então são uns acéfalos? Não é que ainda se dão ao luxo de não só não ligar nenhum como ainda criticam a forma como responde a criatura que na eminência de ser sodomizada apenas quer pelo menos impôr condições?!
Não entendo, pode-me a minha verborreia crónica impede-me o silêncio e faz-me falar quando devia esta calado à espera que pelo menos para mim tragam ViscoLub.
Irrita-me! Não dá para falar nada, sobre nada, que saia fora da rotina que implique algo mais do que um acenar de cabeça e um "hmmmmm, hmmmmm". Toda a minha gente até pode achar logo que quero mudar o mundo, que sou um iludido, que não vou chegar a lado nenhum, etc..., mas é que nem dão hipótese de diálogo inteligente e construtivo sobre o assunto e quando dão escondem-se nestas frases feitas que são fixes para rematar qualquer conversa sem o esforço de se debruçar sobre a questão no sentido de serem dois à procura de alternativas! A alternativa é sempre "deixa arder, que não me queima". E depois eu irrito-me!
Caso prático, isto é um suponhamos... Vamos supor que os aprendizes de um certo hospital são obrigados, por decreto de lei a aceitar serem sodomizados durante 12h por semana. Por decreto, são também excluídos do grupinho que acumula sodomia, felação e coito pagos em obscenas quantias mas que na realidade delega essas actividades aos aprendizes que também foram chulados no rendimento que obtém. Assim a condição de ser sodomizados essas 12h é ainda por cima mal paga! E como se não bastasse ninguém explica que se pode usar vaselina e que há posições em que dói menos, portanto 12h de sodomia, mal pagas e sem formação. Vamos agora supor que esses aprendizes se agrupam e descobrem que são em grande número e que portanto podem negociar e até têm no grupo quem disso faça bandeira e leve avante a vontade de contrariar a corrente. E essa pessoa trabalha e faz e agita e avança e comunica e reúne e tenta e tudo e mais um par de botas no sentido de reunir o consenso dos soon to be assholes e nada... ninguém diz nada! Ora bem das duas, três... ou todos gostam de ser sodomizados ou então são uns acéfalos? Não é que ainda se dão ao luxo de não só não ligar nenhum como ainda criticam a forma como responde a criatura que na eminência de ser sodomizada apenas quer pelo menos impôr condições?!
Não entendo, pode-me a minha verborreia crónica impede-me o silêncio e faz-me falar quando devia esta calado à espera que pelo menos para mim tragam ViscoLub.
«I told them it was a stupid idea to stay...
Seriously?!
Picture this, four youngsters standing there, mesmerized by the sheer sight of that huge manson that blopped out of nowhere...
and I did told them not to go inside, but
noooooo,
nobody listened to me.
They never listen to me!
Chicken! Poltroon! They called me...
But I knew it. I knew it, I knew it, I knew it!
I knew it was going to happen, and then one by one they started to vanish into thin air. One by one. I never understood it it always as to be one by one? Why in this haunted houses stories everybody procrastinate what I knew, what everybody knows that always happens and you I'll find out that happened this time also. Even so... One by one they started to disappear.
Jeez...
Only God knows the chills we felt whenever another cry echoed over the decrepit wallpapered walls.
But still, when I told them not go inside, they didn't listen. I mean no good could come from houses that appear on a abandoned lot in a cold full-mooned Friday 13th at midnight, right? Nooo... they had to go inside and take a peek inside!
First Carla disappeared into a closet. I said: "Are you happy now? Can we go now?", but then again she had the car keys we had to look for her, so I shushed and kept on.
Sadly I was right from the start when I said that this could happen... we found Carla lying on a bathtub on the upper suite bathroom holding her head in her between her pretty hands with the keys jammed into her left eye!
If they were not alarmed by me before going inside you might think that this should have made them fell to their senses and scram as fast as they could from there. Nope they wanted to unravel the mystery of the bloody house! Can you believe that?
I started another rant as we went throughout the upper floor on why we shouldn't be there and why we should get into the car right about then, when Gonçalo who was just about to open the door of the library turned around laughing. not a normal laugh, you know? Kind of a giggle, like the ones that controls your mind and you can't stop... in another words an hysterical giggle.
But I couldn't blame him, he was staring at the place where his hands were supposed to be, with that crazed expression you would also have as soon as you realize that the cold chill you've felt on your wrists when you tried to turn the door, was the cold "swoosh" of a falling blade. I was going to say "I told you so" but he vanished through the trap door that opened beneath his feet, and it was the last we saw of him, as he kept hearing that giggle until the squishy noise of someone hitting the floor after a five storeys fall.When I thought that the idea was pretty clear on what was going to happen to us if we stayed there Beatriz had the funniest epiphany ever, "we should get out ofthe house!"
We were running to the door an d I was about to comment on how I told them not to go inside in the first place when you grabbed me...
I didn't saw what happened to Beatriz, I mean, I caught a glimpse of the two spikes thrusting upp from the floor impaling her but I don't know if that killed her. But if yu ask me that you but as old as having me here strapped to this Spanish-inquisition-like chair don't ou think? I say I deff..............»
His words where silenced by the falling of an axe that severed his head in two just above the jaw line. You know, even ghost have limited patience!
Venho por este meio anunciar o meu novo Credo!
SIMNHATUDÍSMO! - Sim - a - tudo - ismo ou na sua origem latina Sibittotuismus
Diz-se do movimento, doutrina e/ou escola, que põe de manifesto uma forma de vida na qual, em caso de dúvida e ante qualquer problema, questão ou matéria em debate, a postura a tomar em conta como resolução definitiva será a afirmação sem condicionantes.
Assim substituo a máxima " En caso de duda,... la más tetuda!" por " En caso de duda,... sí a todo!" (muito importante em caso de duvida...)
SIMNHATUDÍSMO! - Sim - a - tudo - ismo ou na sua origem latina Sibittotuismus
Diz-se do movimento, doutrina e/ou escola, que põe de manifesto uma forma de vida na qual, em caso de dúvida e ante qualquer problema, questão ou matéria em debate, a postura a tomar em conta como resolução definitiva será a afirmação sem condicionantes.
Não confundir com o Xintuísmo (em japonês: 神道, transl. Shintō, segunda corrente religiosa do Japão que é bastante séria e não está nada mal, por acaso), nem com o Tudismo (que é aquela que professam os que sabem de tudo e de nada ao mesmo tempo, ver blogue do meu pai - Devaneios de Vida -), nem com o Toucinho (que então se fôr do céu, é um espectaculo mas tal como o poste não tem nada a haver)
Assim substituo a máxima " En caso de duda,... la más tetuda!" por " En caso de duda,... sí a todo!" (muito importante em caso de duvida...)
(nota prévia não
tenho nada contra nenhuma especialidade médica, creio que todas são
importantes. No entanto ensinaram-me a acreditar que o importante era o doente,
não a doença, não os MCDT’s que podes pedir ou o carro que tens na garagem por
isso espero que ler isto implique um exercício de raciocínio que vá além do
exagero que uso para marcar essa posição)
Mas afinal porque
tanta merda com o Harrison? É só um exame…é só uma especialidade que vais
escolher e em qualquer uma delas recebes bem com’ó caralho! Vais em breve ter
aquele Mercedes-Benz…’tás-te aí a queixar para quê?
Ora bem acabas o
secundário e se entraste à primeira, passaste tudo à primeira, convenceste as
secretárias a dar-te os papeis correctos no prazo certo e estudaste bem o
exame, acabas este périplo aos 24 anos. E se vens de uma família humilde mas
que não teve bolsa ao contrário do teu tio que aufere o salário mínimo
nacional, mas que tem o tal Mercedes na garagem em nome do cunhado e teve
escalão A para os filhos, chegas ao final do curso com o sentimento de dever
cumprido mas a necessidade de finalmente começar a rentabilizar o curso que
implicava os Verões a virar hamburguers, em vez de ir à Suiça esquiar com os
impostos que não pagavam… E aqui começam as dificuldades e a angústia de quem
tem que estudar o texto que o Diabo redactou numa noite em que se sentia
particularmente chateado, … irritado, … bem… fodido, vá! com as almas dos que
acabavam o curso de medicina. O raças da nota vai ser a que decide se vais
ficar perto das pessoas que conseguiram aturar-te mesmo quando o teu tema de
conversa nos meses de Fevereiro, Junho e Setembro apenas conseguiam ouvir-te “rampaging
about” as mais mirabolantes variantes anatomofisiológicas que tinhas
orgulhosamente estudado para os exames, ou se vais para onde Judas perdeu as
botas e começar tudo de novo outra vez. Não tenho nada contra novas
experiências mas o resto das pessoas que escolhem cursos normais têem amigos da
faculdade que de uma maneira geral vão ficando por perto por esta ou aquela
razão ou porque simplesmente lhes apetece, liberdade que é vectada pelas 5
posições que vos separam e obrigam um a ir para Bragança e outro para Faro
(mais uma vez sem prejuízo contra uma ou outra cidade)
A mesma nota vai
determinar o tipo de médico que és e o teu lugar na hierarquia médica que com
as devidas salvaguardas (eu gostaria de ser Med Interna, Med Familia, Anestesista,
Pediatra ou Cirurgião Geral) impõem uma visão do Med de família como o nabo que
passa análises e exames de acordo com a ultima página do e-doctor patrocinado
pela Pfizer determinou ao paciente para exigir, o Med interna é uma figura
etérea, e o resto é que cura povo… Na realidade não é necessário erguer uma
estatua aos médicos (ou a mim para os que me considerem egocentrico), mas
respeito até os bichinhos gostam e é triste seres médico de família e saberes
que os teus paciente foram à urgência confirmar com outro clínico geral que não
os conhece de lado nenhum e tem apenas 15 minutos para a consulta (mas como é
do Hospital as pessoas não sabem que pode inclusive estar menos certificado que
o médico de família) se deviam tomá-los. E pior seres pior pago que o colega
que não faz noites, que não faz urgência, que se dá ao luxo de recusar doentes
que mesmo que a sua patologia principal seja da sua área basta que tenha outro órgão
envolvido que o manda para o internista. E quando eu falo de ser pior pago digo
na ordem de 100% pior pago! No entanto, como se ganha mais que o resto dos
licenciados é obsceno reclamar!
E o suporte
emocional que é necessário à nossa profissão esfuma-se…não falo de psicólogos nem
de que somos uns coitadinhos mas não acham que um médico seria muito mais
saudável se tivesse uns amigos para ir beber uns copos nem que seja de
coca-cola no final de um turno? Mas não, os que não entram nessa especialidade
trabalham em 4 sitios diferentes para alcançar um estilo de vida que os coloque
no mesmo patamar que os colegas que vêem 4 doentes por turno caramba e que
naturalmente têem tempo para discutir entre eles em que país vão comprar a nova
colecção da Louis Voiton para expiar o stress de ter visto mais dois pacientes
do que os que permitiram ao chefe de equipa agendar. E eu não quero uma Louis
Vuitton, aliás sempre achei que se quisesse dinheiro na altura teria escolhido
outra profissão e teria enriquecido sem tantas complicações ou
responsabilidade. Não digo que tem que haver um dermatologista às 4 da manhã em
todos os Hospitais mas se calhar no dia seguinte quando ele vem chega sempre
dentro de um horário fixo, exclusivo da instituição que lhe paga essas horas e
que veja os doentes que humanamente seja possível nesse horário de modo a não
obrigar as pessoas a marcar consulta no seu consultório privado dando a ideia
de que o triador, o med de família ou internista que duvidou do que poderia ser
e requisitou a sua sapiência é um pobre diabo. E já agora porque não trabalhar
em equipa? Porque é que um Ortopedista na urgência só vê trauma e depois da
meia-noite só se realmente estiver escaqueirado senão fica a curtir analgesia
porque só de manhã é que vê a fractura reduzida? Porque é que os cardiologistas
não vêm FA’s sejam elas de novo, em contexto infeccioso ou com RVR? Porque é
que os ORL só vêm um Sd vertiginoso depois de descartar se é central (que eles também
sabem fazer) por um médico de clínica geral que provavelmente só se lembra que
Dix-Hallpike determinou que 97,4444% das vezes o nistagmo era vertical em caso
central e que a manobra de uns tipos quaisquer era útil na determinação de VPPB
uma das causas mais frequentes de Sd Vertiginoso ou será que era ao contrário? Não
sei se é assim em todo lado mas a idiossincrasia da realidade não deve andar
muito longe, mudando apenas o nome da especialidade ou a maleita.
Ainda acham que é
de ânimo leve que uma pessoa estuda? Que é só por capricho que nos espumamos
contra o ridículo da PNS e as suas implicações?
Decorrente da
minha publicação anterior tinha que explicar o que é o Harrison… das 5 pessoas
que lêem o site 1 não é médica (ora bem temos eu, o meu alter-ego, o infra-ego,
o Javier e um incógnito e gentil leitor que resignado naquela noite em que não
a internet insiste em apresentar o meu blogue como hit relevante quando ele
procura “gajas boas”, que eu não conheço mas sei que existe) e para ela vai
toda minha tentativa de tentar traduzir em palavras esse momento da vida de um
jovem médico em que o Harrison é tudo e tudo é o Harrison.
No mundo real
Harrison foi Tinsley Randolph Harrison (18 Março, 1900 [“a date which will live
in infamy”] – 4 Agosto, 1978 [data que passou a fazer parte do meu calendário
de celebrações, tendo já pedido à Teresinha que nunca mais me escale esse dia
tal como o dia 11 de Set (meu aniv) e o dia 5 Junho ( que foi quando consegui
comer um Perna de Pau sem que a nata me sujasse as mãos todas]), que um dia
descendente de uma família de seis gerações de médicos que decidiu ser
professor e deixou um livro que pensava ele iria servir o propósito de
condensar numa publicação os (atenção ao título do livro) PRINCIPIOS de
medicina interna, que para os comuns mortais é uma especialidade fantasma (quem
não ouvi já: «”…medicina interna, ai! que giro, imagino que tenha estudado a
medicina da parte interna do corpo, mas eu perguntei que especialidade queria?”
– “Medicina interna, já lhe disse!” – “Hummm e isso cura o quê?”), mas que na
realidade é a especialidade que deveria (mais do que ser uma vertente não
declarada da geriatria) que se encarrega de integrar o conhecimento médico no
todo que é o humano e não nos seus constituintes como fazem ginecologistas que
altruistamente trabalham onde os outros se divertem e ignoram o que é a linha
de Ellis-Damoiseau ou as suas implicações no sistema respiratorio quando um CIN
agressivo descompensa uma insuficiência cardíaca congestiva severa e provoca
uma congestão pulmonar que leva a um derrame pleural por descompensação da lei
de Starling que regula a produção e absorção do liquido pleural presente entre
as duas folhas…
Assim ele pediu
aos seus “amiguetes” que escrevessem um capítulo para o seu famoso compêndio. Ora já o povo diz (e o comunista que há em mim valida) que “Cada cabeça sua
sentença” tendo saído uma salganhada de métodos e formas de contar uma história
que constitui o pior pesadelo para o naturalmente obsessivo-compulsivo estudantes
de medicina, habituado a estudar de forma esquemática os titânicos algoritmos
de estudo de uma doença (Doença X -> descrição geral, fisiologia,
patofisiologia, semiologia, diagnostico, tratamento, prognóstico; Doença Y
-> descrição geral, fisiologia, patofisiologia, semiologia, diagnostico,
tratamento, prognóstico; Doença Z -> … [“got the idea?”]).
E vocês dizem, qual é o problema? O Wilhem
Kempf tem que saber de cor as mil e não sei quantas páginas que tem o
repertório de sonatas de Beethoven! Estudas aquilo e pronto…
Nessas páginas
Wilhem Kempf não tem que indagar porque é que aparece # nem se isso será
relevante… porque para Beethoven, como para ele é indicativo de um sustenido e ‘tá
lá é importante, senão não estava, mas quando enfrentas o Harrison pedem-te que
atentes que os critérios da National
Cholesterol Education Program e da International Diabetes Foundation
para o Sd X incluem a medição da circunferência abdominal diferindo os valores
de acordo com a etnia em questão, assim, 94 80 | 90 80| 85 90 cm são os valores
para homem e mulher, Europeu, Sub-sahariano &Médio Oriental |Asiático,
Chinês & Sul Americano | Japonês, respectivamente. Isso é relevante??? Pode
ser caramba, não sou um nazi das coisas simples, porra, mas em que medida é que
isso me vai tornar mais apto para ser Dermatologista ou Médico de Família?
Portanto é relevante? Vão perguntar no exame? E a prevalência da miocardiopatia
de Tako-Tsubo que afecta maioritariamente mulheres pós-menopausicas submetidas
a uma forma de stress prolongado, excepcionalmente extremo stress mental ou
físico (este ultimo em apenas 20% dos casos, o que nos faz pensar que para ser
mulher e menopausica e sobreviver é preciso alcançar o estádio iluminado do
Dalai Lama) se calhar este é importante (e ‘tou a falar a sério, esta porra
mata mesmo! http://www.takotsubo.com/) mas será importante garantir que o recém médico o saiba? O mesmo
que está a fazer este exame para em breve vai abraçar uma especialidade e
deixar para trás (infelizmente é assim) grande parte do que aprendeu sobre clínica
geral, chegando ao ridículo de estar a praticar dermatologia e lembrar-se desta
merda que o diferenciou do 97% que tirou o número 2 que escolheu a outra única
vaga de Neurorradiologia, mas não saber que sibilâncias respiratórias presentes
numa qualquer atopia que lhe chegue às mãos por eritema exuberante se trata, alem
de com corticoides (de acção rápida) como é seu apanágio para qualquer maleita
dermatológica, com beta-agonistas de acção rápida como broncodilatador por
excelência? Tanto que precise de chamar um médico, que ele já não é?!
E nestas
cogitações passas tu uma Primavera em que os teus amigos telefonavam no
princípio a perguntar se querias ir dar o primeiro passeio fotográfico pelos
campos recém floridos e tu respondias que não porque ainda não leste como que o
gene XPTO é responsável pela doença que mata um habitante por cada 25 anos no
Oeste Americano! Um Verão em que apenas dois amigos e a tua namorada te
perguntam a medo se queres ir dar um mergulho atrás de um escudo anti-motim com
medo de apanhar com o Harrison voador! Um Outono em que só as pessoas com quem
vives se aproximam para dar-te banho com uma mangueira de alta pressão ou para
empurrar-te uma refeição quente por baixo da porta para não verem o bicho hipersalivante,
barbudo, fotofóbico curvado sobre fotocópias A3 roídas e escrutinadas até ao
último minuto antes do exame, nesse dia prensadas e decoradas com as cores do
arco-iris em versão Pelikan fluorescent marker.
Os que tiram mais
de noventa vão achar isto um exagero. Claro o terror que os pais expressão ao
psiquiatra que visitam pela PTSD que os assola desde que os viram a chorar na
relva a rezar com ar de quem entra em transe impede-os de os recordar que só
com choques eléctricos os conseguiram trazer à realidade, e como na realidade
eles podem escolher uma especialidade que dá dinheiro sem fazer nada
(aparentemente o principal critério de quem escolhe nos lugares de cima [e
digo-o consciente que há excepções e que mesmo que tirasse 100% jamais faria
Dermato ou primos]. Mas também são sempre aqueles que durante a faculdade te
diziam que o exame tinha sido horrível e depois abanavam sub-repticiamente o 20
na cara do teu suado 15, portanto também não é de esperar outra coisa dos
representantes do mínimo denominador da baixeza académica.
Os que tiraram
uma boa nota vão rir porque na verdade é parecido com o que viveram num registo
cómico, mas real para os filhos da puta que tiraram 90’s e..., e vão escolher
anestesia porque querem ter um sitio tranquilo onde apenas os beep’s dos
aparelhos que decoram o bloco incomodem a leitura do diário económico ou da
Hola! Versão tablet/smartphone. E afinal eles sempre puderam fazer anestesia
noutro sítio que apenas lastimam porque não havia sinal GPRS
Os que ficaram
aquém das expectativas vão dizer que era assim que deveriam ter feito para conseguir
a posição 456.
Os que se
espalharam redondamente, nunca vão ler esta crónica porque só a palavra
Harrison no título provoca ondas de raiva que implica camisas brancas que
apertam atrás e injecções de clorpromazina.























