Imagens que educam
Uma imagem vale mais do que mil palavras e nem todos os dias me sintam tão inspirado como para meter-me em delírios literários, mas este correio electrónico que me chegou às mãos por meio de um amigo que estuda Biologia na Univ de León, mas que curiosamente é daqui de Valladolid, é mais do que merecedor de ser reproduzido... "Con su permiso" ponho por aqui o que me enviou


Esta era a única que representava um desafio entender o que põem por isso acrescento a legenda: " Entre a vida e a morte 0,03 mm de látex"
Porque é que os cães mordem às pessoas
Porque é que os cães mordem às pessoas? / Porque los perros muerden a la gente?

Depois da "parrafada" momumental que instilei no post anterior fica este para descontrair!
















Emigrante?
España ou "tierra de nuestros hermanos"? Digiro esta cogitação à 7 anos

(se bem que a subtileza pode escapar ao leitor mais distraído, certamente que concorda que na primeira premissa se considera España ou como país irmão que não tivemos oportunidade de escolher e quiserem as Sortes ou o azar de nos ter caído este na rifa)

Considero-me emigrante!

Pronto já 'tá, já disse... esta afirmação já foi palco de apaixonadas tertúlias e mais acaloradas discussões que acabam envoltas numa nuvem de fumo entre mim, o meu pai e o Jorge (que apesar de ser irmão do meu pai não tem, mas vai aparentando, idade para ser meu tio).
Considerando que representamos três gerações (em termos de idade) da Casa Veiga e todos temos como prototipo de emigração a praticada pelo meu avô que na falta de pão que pôr na mesa e graças ao seu orgulho e feitio peculiares (trademark Veigas®) fez-se à estrada e 1 mês depois 'tava em Paris a braços com o xenofobismo francês, a viver nos batiments, suando de sol a sol a miséria de soldo que empregava na alimentação do hoje bem nutrido meu pai. Vivia portanto com um pé cá e outro lá! E naturalmente todos temos uma interpretação diferente da emigração.


O meu pai, boca pequena que teve na base da peregrinação em busca de um lugar ao Sol, nunc se acomodou à noção de sair do país para viver melhor, já que viu o periodo inicial de uma emigração que estava disposta a comer o pão que o Diabo amassou fora do país em condições deploráveis por uns tostões mais e que depois de uma vivência de abnegada autocomiseração a que os emigrantes portigueses se dedicavam e que imprimia uma violenta autoexclusão num país de base racista e xenófobo como é França dos anos 60 para os emigrantes (não para o turista) e que se demonstrava numa violenta alergia a assimilar a cultura que para o pequeno português era sempre devassa, demasiado progressista e até alienígena cuja prática abanava as fundações do português habituado às convenções retrógradas baseadas na familia pátria e estado que predicava a cartilha e que para além de resultar um puzzle intricado saber como e que aquela gente ainda se aguentava como sociedade representava o camminho mais rápido para o inferno de ser feliz fora da pátria que o exilava por este ou aquele motivo aniquilando esse sentimento tão português da Saudade. Assim o meu pai vê o emigrante como um ser estúpido que à partida não funcionou como devi na sociedade se precisa de fugir para longe para ser feliz, mas que cronifica o seu estado se quando no estrangeiro não aprende a língua, não fala com o nativos,  não arranca todas as raízes que o atam sociologicamente ao Portugal profundo de onde pelas vicissitudes da Vida teve de sair para se entregar de braços abertos, mergulhando na cultura de cabeça do sítio para que depois renasça como ser mais completo, rebaptizado pela miscenização de costumes e tradições que farão desse emigrante a principio estúpido e mesquinho na sua critica fácil das suas origens e na idolatrização hipócrita dos seus novos Senhores uma pessoa melhor, mais esclarecida e como não há machado que corte as sementes que se plantam neste país de brandos costumes tão interligado com as viagens ao largo da sua história, mais português.


O Jorge (meu tio) que pelos famosos pêlos na "benta" que caracterizam as mulheres portuguesas cá fora (a sério ainda hoje não percebo porque é que a imagem que se vende de Portugal cá fora é a da típica senhora de luto sentada à porta de uma casa de granito com um bigode que faria empalidecer o Zé da tasca, mas pronto...suponho que se entende o que quero dizer com pelos na "benta", expressão tipicamente nortenha), viveu em França, já que a minha avó cansada do papel de esposa à distância, rompeu convenções e estilismo da época dando também ela o "Salto" levando a "cria p'a lá do sol posto. Apesar de ter regressado antes do meu avô que por lá ficou até à reforma, trazido após a violenta e precoce morte da minha avó que não teve "tempo" para lutar com os problemas de saúde que tinha e entregue aos cuidados da minha bendita tia-avó  e que portanto sofreu o tipico sindrome de filho de retornado. Pensava que tinha uma doença nos ouvidos, já que não entendia esse linguajar das gentes da terra que diziam que era sua e que com o tempo guarda a recordação da ordem e disciplina que era lá e cá não, do dificil que é lá e cá uma bandalheira mas aprendeu a desaprender o pouco que penetrava na dura crosta dos bairros sociais onde encatrafiaram os portugueses que iam trabalhar e  que por isso viu apenas as dificuldades de quem trabalha no duro, no mais puro ambiente de exclusão, no fundo da cadeia alimentar e que sacrificava o que de melhor nos caracteriza como portugueses ( a hospitalidade, a politica de cassa aberta, o sentido de colectivo) em prol da competição pura e dura... portanto o emigrante é a grandes rasgos para ele um ser sacrificado que trabalha, que luta, que arranha e morde para conseguir um lugar ao sol...




Chamam-me a mim o emigrante de luxo... Incomoda-me, insulta-me e sacode-me cada fibra do meu espirito protestante (nao no sentido religioso) Faz parecer que isto aqui é tudo fantástico e que corre sempre tudo às mil maravilhas, vamos como se não tivesse saido de casa/Portugal


Sei que não vim para Espanha a pé com o meu avô, nem se decidiu do dia para a noite, nem tive que passar fronteiras sem papeis, não tive que fugir da polícia, não ia sem destino fixo nem tão pouco sozinho, não era propriamente inepto no que toca à língua e nem tinha só a 4ª classe, mas ei!... não foi propriamente um mar rosas, nem um passeio no parque...
Para começar reportem-se à estupidez dos 17/18 anos e na embriagante onda doce hormonalmente complexa (não a da adolescência, mas a da  loucura das descobertas dos recém entitulados jovens) e o americanizado refrão do "livin' in the fast lane" que caracterizava a minha ascensão meteórica em termos sociais na altura e espetem-lhe com uma dose de 10/12h de viagens mensais em transportes públicos para poder vislumbrar um atisbo do que poderias ter sido, se tivesses umas décimas mais, por entre os companheiros que se iam diluindo nos km's que te separavam de casa...juntem-lhe o desespero de um ser comunicante como eu de encontrar-se de malas à porta de uma residência universitária que com o seu cristalino espanhol recém aprendido ficava muito aquém da exuberante exigência linguística que um idioma rico em expressões idiomáticas e regionalismos e influências nacionalistas como é o espanhol e ainda mais em "putos" recém soltos no vazio de vigilância e apertado control que se vive até estares sozinho a kms de distância de casa no mundo que é a vida Universitária. Acrescentem-lhe o mau sabor de boca com que ficamos quando sabemos que o teu grupo de amigos e os relacionamentos que terás numa residência universitária é determinado quando dizes Hola! pelo que trazes vestido pelo relógio tens, qual é o tamanho da mala e principalmente pela frase que dizes a seguir (acreditem soy portugués não é o melhor "ice breaker")! Yap! vivemos na era das primeiras impressões, vivemos bombardeados por informação pelo que tendemos a selecionar o indispensável e num mundo cada vez mais global acabamos cada vez mais com o olho no umbigo e dentro da nossa borbulha. Mas isto seria igual aqui, em Lisboa ou em Castelo Branco,...não fosse o facto de seres o único português em León e portanto o bicho raro, mas não o bicho raro exótico que todos querem provar, mas o aquele que Ei! o que é que estás a aqui a fazer?
Foi mau mas estava prestes a tornar-se pior... depois de um ano em León do qual só tenho coisas boas a dizer (fica para outro post), mas onde me deparei com um Falangista que não morria de amores pelos estrangeiros, com o dinheiro que se gasta em tudo e os meus pais que não nadavam nele (533 € mês era o preço da residência por bico em quarto compartilhado), com a dificuldade de estudar em Espanhol, com as saudades de casa, da moça que deixei em Lisboa, dos amigos que tinha em Vizela, vim parar a Valladolid.


Meu Deus! os tempos são diferentes eu não sou mão de obra barata, dentro da sociedade o estatuto de estudante superior e ainda por cima de Medicina confere-me um certo status, mas passei mais depressa a cidadão de segunda categoria do que um português demora a dar a volta aos temas principais dos debates em Portugal (sexo, política, futebol, [religião], sexo). 
Entre muitas outras, a título de exemplo:
  • a tinta ainda secava no contrato que assinava para ficar num apartamento (no quinquagésimo apartamento que visitava) e pedem-me o Bilhete de Identidade. Saco do BI, aquela bonita manta amarela que não cabia em nenhum dos compartimentos das carteiras, vá se lá saber porquê e a senhora solta a seguinte pérola: "Ai cariño pues vaya, es que mira.... verás... yo no alquilo el piso a estranjeros!" e sem mais contemplações delicadamente me mostrou a porta e já está
  • comentando esta história com a nada mais nada menos que directora do Banco Santander Central Hispano ouves outra pérola de relevo: " verás tienes que entender que en España, tenemos la idea de que la gente de Portugal suele estar asociada a los gitanos,entiendes lo que te quiero decir?"
  • ainda no mesmo banco tenho que fincar o pé e provar deitando mão da legislação Europeia que sendo comunitário tens pleno direito, como cidadão español, pelo que não têm que cobrar-te uma fiança de 15€ de gastos de qualquer "gillipollez" que se inventaram, para e cito o que me foi explicado no banco que segundo eles era politica interna do banco: "asegurar el banco contra un eventual delito de identidad, desinformación o utilización de los servicios bancarios prestados por la entidad bancaria en actividades ilícitas, criminales (...)"
  • ainda na mesma semana deparar-me com o pulso competitivo dos meninos de bem que caracterizavam a amostra inicial dos que como eu tinham sido exilados de Portugal pela sua escolha de vocação; e as intrigas e governos sombra que influiam sobre as relações entre os membros
  • mas o pior, pior, pior foi cair outra vez de paraquedas numa faculdade principalmente endógama, onde todos os alunos se conhecem desde 1º da escola primária e onde os grupos eram tão herméticos que de cada vez que chegava um outsider só lhe faltava gritar: "Então que é que queres? Dá-se pão aqui, é?"
E tudo isto não passam de anedotas, coisas que se contam à lareira que "a toro pasado" dão para mandar umas risadas, mas isto são os casos curiosos que posso contar, à coisas que só se entende se experimentadas e mais uma vez digo em nada se compara a uma emigração de um Keniano para os Estados Unidos com apenas o dinheiro da viagem ou de um marroquino em barcaça da mauritânia para as ilhas canárias sem sequer visto, mas lá está ainda na sexta quando falava com o meu Prof de Oftalmo, isso de ser cidadão de 2ª categoria não é muito saudável.
Mas mais uma vez dado que lutei o suficiente para abraçar tudo o que podia experimentar da cultura espanhola, a cada avanço que fazias e te adentravas neste ou naquele costume tinhas que "hacer el ridiculo" como por exemplo passar tardes a fio a tentar dominar a arte de comer "pipas" para que pudesses ver um jogo de futbol como um tipico espanhol, no café, com uma cerveja e a comer sementes de girassol e a atirar as cascas para o chão.

Isso sim para ser um esopanhol a sério tens que te decidir, ou és do Barça ou do Madrid tema do qual eu fugia desde que me lembro de ser pessoa porque nunca até então me tinha interessado por futbol, pois toca a aprender quantas taças da europa tem o Madrid ou quantas copas del rey ganhou o barcelona ou quantas vezes é que foi roubado o Bétis no derbi com o Sevilla. 


Mas faças o que faças Espanha is the best, em tudo o sentimento de nacionalismo em parte motivado pela divisão interna que é agravada pelas regiões autónomas e que não é mitigada pela figura do rei como se pensa além fronteiras que é apenas um representante do fraco "pegamento" que une os retalhos. Como português convicto não creio que Espanha seja a cúspide do povo mediterraneo nem tão pouco os mais "exitosos", no entanto sempre que falava com alguém soava-me como unhas num quadro de xisto aquilo de "fui a protugal a por toallas" ou "que mal conducen los portugueses" ou "porqué las mujeres portuguesas tienen bigote" ou "que desorden es todo, vamos que parece que no hay nadie que controla donde construir" e pior chegar a casa e ouvir os comentarios dos meus compratiotas a dizer que em Espanha é que é bom... e mais uma vez relato uma forma de agressão verbal, não é nada que se compare a ser espancado por ser amarelo, mas às vezes deparas-te com mitos que faria derreter a tinta das paredes de tão descabelados que são!


Enfim se emigrante é passar por provações guardando as distâncias com o tempo e as condições em que me descrevem os emigrantes, sou um! Se implica cruzar fronteiras, também,... se sou de luxo ou não fico à espera dos comentários.



Olhos Lindos!
Foi a minha mãe que fez :)

Estas são imagens do Fundo Ocular tiradas por um aparelho que fora do contexto faria com que muitas pessoas tivessem mais medo do oftalmologista do que do dentistas...é no minimo aparatoso

Bem depois de 15m à espera que as porra das gotas fizessem efeito (arde ao colocar o raio dos "ciclopléjicos") frente a um feixe de luz potente que nos faz ficar encadeadíssimos (tipo como o veado que falo no post anterior) lá tirei fotos para a posteridade.

O médico que está comigo disse que é demasiado egocêntrico mas eu fi-lo pela curiosidade, sendo miope, posso ter alguma alteração...nã é egocênctrico mesmo!

Bem p'ós que me conhecem, ficam a conhecer melhor o meu Eu interior, p'ós que não me conhecem, digam lá se já viram olhos castanhos mais giros :D

























As primeiras são sem nenhum tipo de Filtro as seguintes com filtro verde... bem alguma coisa de interessante tinha de fazer no estágio em oftalmologia de quase 2 meses :)
Sou um gajo positivo, mas vou mudar o nome p'a Murphy...

Sou um gajo positivo, mas vou mudar o nome p'a Murphy... É verdade, há dias em que a razão se cristaliza ante ti de forma tão perfeita que faria chorar o cristaleiro mor da Swarowski ou da Atlantis!

Reparem bem, uma semana depois de ter iniciado o meu exílio forçado em Espanha (graças a um arrufo de putos do Exmo. Sr. Prof. Dr. [deve ter mais siglas eu é que não me lembro] Carlos Vaquero, Excelso Presidente do Conselho do Departamento de Cirurgia Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Valladolid [lembrem-se disto quando o cumprimentarem]), pensei: "Ei! Até nem é assim tão mau! Isolado do mundo civilizado certamente estudarei!" Como estava enganado...

Primeiro chegar cá, meus senhores (as) não fazem ideia da loucura que é vir para a Capital de Região autónoma de Castilla y León!
Meu Deus! Não sei se é culpa de Portugal ou Espanha mas era suposto haver melhores comunicações entre dois países limítrofes da Europa e vizinhos
Eliminaram metade das carruagens que faziam o trajecto do Sud Express, mas o comboio anda a pedais na mesma demora 8h + qualquer coisita de Lisboa a Valladolid meus amigos, ora o meu avô deve ter feito em menos tempo que isso Guarda-fronteira quando foi a pé para França. E portanto no derradeiro dia da minha vinda para Espanha fiquei sem lugar no Sud Express cujo bilhete não se compra por Net, só nas estações centrais... fiquei sem hipótese de comprar de autocarro porque a partir das 8 não se pode comprar bilhete em lado nenhum que ' tá fechado e portanto tive que vir graças às boas graças do condutor de autocarros até Salamanca (180-200km a Sul de Valladolid) onde cheguei às 4h da manhã e tive que esperar até às 9 para ter ligação para cá... a sério a melhor forma de cá chegar é avião do Porto ou Lisboa em low cost para Madrid e depois autocarro, comboio ou comboio de alta velocidade para Valladolid e é mais barato que vir de comboio se for comprado com antecedência.

Mas nada de maior mossa no positivismo do interlocutor agora, enquanto procurava apartamento à distância surgiram as mais variadas ofertas mas cujo tecto orçamental me impedia o acesso às mesmas e quando finalmente encontrei apartamento decente teria de escolher entre um apartamento reservado a um senhora que praticava a sensual arte de massajar (TUDO, sim tipo aquelas massagistas da escandalosa casa de massagens do Porto, pena nunca ter recebido um convite), dum homem velho que tinha vivido perto de Portugal com o apartamento mais barato onde viviam outros estudantes incluído um de medicina e onde até tinham uma PS3 e outro onde as paredes pintam a roupa com um pó branco estranho (tenho colegas que devem sofrer outras alterações por esse pó, mas...fica para outro post) onde tudo funciona através de alguma solução engenhosa extra funcionamento normal e onde os co-habitantes trabalham.

Neste momento a escolha é óbvia, né?
Visitamos o da massagista só p'a não morrer de curiosidade (e sim era uma cubana linda de 1,80 olhos verdes e corpão violão 8-<), despachamos o terceiro e vamos mas é jogar Play com os nossos amigos espanhóis.

Não, 'tá mal! 'tá errado, brother!


A massagista era realmente linda, mas a insonorização do quarto deixava a desejar assim como o incenso usado para mascarar algum que outro odor corporal :0D, mas o senhor do segundo apartamento, bem, nega-me a entrada no seu edifício porque durante a entrevista lhe apresentei a minha mãe e ai de mim que lhe disse que me chamava Luís e depois Daniel! Pois bem o senhor ficou desconfiadíssimo enquanto viu a minha mãe que segundo ele, e os olhos dele afligidos por umas cataratas que ocultariam um elefante do campo de visão macular, a minha mãe tinha idade para ser minha acompanhante, minha esposa, amiga, mas nunca minha mãe, que era muito nova para ter parido aqui o marmanjão! E depois ninguém se apresenta com dois nomes diferentes as pessoas sérias só têm um nome e ai dele se abre a porta a pessoas que possam roubar-lhe o recheio da casa do dia para a noite (e eu que olhava gulosamente para a PS3 que deveria caber atravessada numa mala de um carro que se lhe encostássemos outro alfinete explodiria)
Enfim estupefacto às 21h da noite lá fui eu a rir mas não surpreendido de todo, afinal é Valladolid, para o apartamento do pó estranho. Estou instalado e após uma primeira visita verifico que é preciso abrir a máquina de lavar a roupa com uma faca que o frigorifico só fecha depois de estarmos 30 a apertar a porta, que o microondas para misteriosamente, que a televisão não funciona porque em Espanha já é tudo por TDT, que era suposto haver Net mas as meninas usaram e não pagaram e agora não querem pôr mais. Mas ei! havia um lado positivo a Giorgia menina de 30 anos italiana que busca primeiro emprego à desde que saiu da faculdade há 5 anos do apartamento recém-chegada é super amável e simpática ([comentário de gajo]sim, simpática).


Sem stresses! Vamos para o estágio que é isso que cá viemos fazer! Medra! O meu Prof. é da Opus Dei! No segundo dia entra pelo consultório nada mais nada menos que o director dos Colégios de Valladolid adidos à Opus Dei (para quem não sabe é uma facção ultra religiosa dentro da fé Católica Apostólica Romana que foram brutalmente depictados no romance de Dan Brown pelo personagem Silas), e conversa puxa conversa e o Homem vai e diz: " Eu estou aqui a falar de Deus, e não sei qual é a posição do jovem que temos aqui connosco) Ora vocês tão a ver um veado no meio da estrada encadeado por um camião TIR de 6 rodados??? Imaginam o que sente 2 segundos antes do impacto? Comprimindo isso tudo no espaço de tempo que levei a responder terão uma leve ideia do que senti. Mas acho que esquivei a bala, serpenteando entre as perguntas lá consegui ser mais ambíguo que um político de carreira e graças aos muitos anos de acólito ('brigado Vovó, tu bem dizias que ia ser útil!) lá respondi direito ao que se me perguntou (or so I think!)

As coisas decorriam tranquilamente entre olho mau e olho pior até que me começa a fazer perguntas desta vez daquelas que eu deveria saber responder e sabendo que nada sei (que Socrático estou hoje), lá fui eu parar ante a forte luz dos focos dianteiros do camionista com o típico cachecol de Portugal, o calendário da gaja nua e os CD's do Toy (desta vez como estive mais tempo pude ver mais detalhes).
A titulo de curiosidade e para que o leitor não se sinta tão esperto: Qual é o sinal oftalmológico que participa como critério de diagnóstico do Síndrome de Marfan e porquê. Vá, espertos, não vale consultar o livro, eu ainda me "desinmerdei" mais ou menos...

Bem mas nada ainda que destrua o positivismo até reparar que a meio Abril não há calor numa zona bafejada pelo clima mediterrânico continental que normalmente nos põe a todos de T-Shirt. O sol parece um serviço público em tempos de, "num aquece nem arrefece!", e de cada vez que passa uma rajada de vento temos que nos desviar ou os cristais de gelo que se forma do vapor de água que exalamos podem furar um olho!

No meio desta brincadeira toda apanhei uma amigdalite de caixão à cova 8h antes de apanhar um avião para ir para casa recuperar forças e discursar sobre as mulheres e o 25 de Abril (next post) e ‘tava de tal forma que nem via um palmo à frente dos olhos mas encontrei o aeroporto, encontrei uma alma caridosa que 15minutos de embarcar me imprimiu o bilhete porque a RyanAir cobra 40 euros para imprimir um bilhete e as impressoras de Valladolid estavam de conluio nesse dia e nenhum ciber café que aqui em Espanha há-os como cogumelos me pode imprimir ditoso documento. Enfim e depois dou de caras com o sistema de Saúde em Portugal que por estupidez crónica e rivalidades absurdas existe uma triagem de enfermeiros (o que é óptimo) uma triagem de médicos (que normalmente são estrangeiros [ei! nada contra o facto se não fosse vital que paciente e médico se entendessem e depressa]) onde o pessoal passa hora sem comer, sem ter onde se sentar á vontade, sem grande atenção por parte do pessoal de atenção para, na maioria dos casos receber uma consulta que poderia ter acedido a partir do centro de saúde se estes fossem bem equipados ou para passarem "para dentro" onde lhe vão repetir outra vez tudo o que já lhe fizeram na triagem antes de decidir internar ou não (isso devia ser feito logo né, a triar que seja um internista que decida logo se é urgente, emergente, não urgente, para derivar a uma especialidade ou para internar). A maravilha de médico que me viu detectou depois de lho ter dito que era uma amigdalite pultácea e medicou-me com (olha o espanto) um amoxicilina+clavulâmico EV e depois 2 doses de Lentocilin 1200 IM para casa! 2 penicilinas diferentes (nem completo um nem o outro esquema terapêutico) enfim o médico é que sabe mas eu é que curto a amigdalite (que ainda não foi de todo embora apesar de eu ter o rabo como uma almofada de alfinetes.

 
Conclusão se quiseres medicina encorna bem esses livros para ires para um faculdade portuguesa que o mau conhecido é melhor que o bom por conhecer, ou não... tudo o que faço e o que aprendi com o péssimo Karma que me atormenta não o trocava por anda deste mundo é certo que já passei por apertos espectaculares e donde tive sorte de escapar mais ou menos são, mas não o trocava por nada.

AGORA JÁ PODIA PARAR ERA DE TER UMA SORTE DA PORRA, GOSTAVA DE UM POUCO DE FÁCIL POR FAVOR, COM UMA MIÚDA A ACOMPANHAR E DE SOBREMESA ACABAR O CURSO PARA VARIAR!
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