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Se és uma pessoa saudável (não tens mil anos, uma patologia crónica ou está grávida [a sério fisiológicamanente é o tumor de desenvolvimento mais rápido à data]) e tens um síndrome gripal [febre (37.5, paracetamol 1000mg 8/8h), rinorreia (vulgo "pingo"), tosse pouco produtiva, espirros, dores no corpo]
lembra-te há 5 motivos para não ver um médico:
1.- Uma vez que contraíste um HxNy qualquer o tratamento não é curar a doença senão tratar (aliviar) os sintomas. Como me diziam em castellano “La única cura para la gripe es pasarla.”
2.- Se não houver nenhuma complicação não é necessário que te prescrevam antibióticos. A gripe está causada por um vírus, não por uma bacteria, portanto os antibióticos não curam nem aliviam nem encurtam porra nenhuma.
3.- O melhor tratamento para a gripe é descansar, beber líquidos abundantemente (de preferência quentes), evitar álcool e tabaco (ou cenas :P) e tomar um antipirético (leia-se paracetamol, Ben-U-Ron 1000mg se > 40Kg/>12anos 8/8h e na loucura ibuprofeno 400mg, Brufen intercalado) de preferência de pantufas e com o pijama de flanela que a tia-avó Micas te ofereceu
4.- Cada indivíduo em média contagia o vírus a uma ou duas pessoas. Se tiveres gripe vais contagiar mais gente quanta mais gente contactares. Se pelo contrario estás apenas com uma constipação comum vais ser sobreinfectado com gripe. Evita locais fechados o com aglomerados por ser mais fácil a transmissão (sim a sala de espera é um desses)
5.- Está descrito na literatura médica que só é produtivo consultar um médico se e só se durar mais de 7 dias o quadro .
só tens mais remédio e ir se:
por alguma estúpida e burocrática forma de controlar a prescrição de certificados de incapacidade temporal e a estultícia da tua empresa, fazem com que seja obrigatorio a apresentação de um papelucho para certificar a tua doença e impossibilidade para trabalhar.
Além disso se vives em Portugal, assegura-te de que vais no 1º dia em que te sentes mal, porque graças À falta de civismo típica deste chicoespertismo tão português, o (des)Governo Português não permite que sejam passadas baixas com efeitos retroactivos e se trabalha ao fim de semana ou após o fecho do seu centro de saúde lixa-se que no Serviço de Urgência garantimos que se não tinha sai de cá com uma e não leva papel de jeito para estar de molho à vontade.
Três meses volvidos e eu acho que já estou embrenhado na personagem de médico de urgências! e posso finalmente estabelecer uma definição da minha condição sociolaboral e hierárquica na escala filogenética da carreira médica:
Para os pacientes és visto de duas maneiras possíveis
1 -> representante de uma entidade divina (hospital) que existe para corrigir e encurtar as distâncias temporais entre o paciente e o acesso à Medicina a sério, uma vez que o seu CS ou MF são filhos de deuses menores e coitados não podem fazer mais que dispensar receitas, P1's, atestados e vitaminas.
2 -> ser preguiçoso, pachorrento e despojado de alma que deixa propositadamente gerarem-se filas de espera que dão a volta ao Hospital, e que sonega o direito inalienável de poder internar velhos e estorvos (pleonasmo?!) ou dar seguimento a sua digníssima patologia a um médico especialista que este precisa sempre e desesperadamente nem que seja por uma unha encravada no pé.
No primeiro caso és tratado com reverência sendo colocado em ti a expectativa de ter tempo para dedicares às maleitas mais incólumes ou males psicossociais que merecem do clínico mais que 15min que reservam as guidelines de boas práticas/gestão do SU. Mas sim tens que ser tu a resolver o sd gripal que vai no terceiro dia com 4 já de medicação autoproposta e revista no canto de uma consulta do filho que também está doente como aliás os primos que vieram de Mogege, so on and so forward. Não é que eu não ache digno de se resolver mas isso é outro post e alguém me disse que devia ser mais sintético por isso...
No segundo caso, és um sacana.. um ser desprezível que existes para desperdiçar tempo enquanto enches os bolsos com o dinheiro dos contribuinetes que coitados descontam para que lhes seja dada a prioridade verde mesmo tendo em conta que hoje lhe dói o pé (tal como nas últimas três semanas) e não passa apesar de ter esfregado -escreva aqui qualquer unguento da sua preferência - mas não tomou um mísero paracetamol (que isso não faz nada, tipo É SÓ O PILAR FUNDAMENTAL DA ANALGESIA e mais barato que um creme de symphytum officinale) e teve um enfarte há 3 anos!!!
Não é que a hiperhomocisteinemia não seja uma coisa importante mas a relação entre o enfarte e dor articular não é o teu primeiro pensamento quando abordas um caso destes e certamente não é do conhecimento geral. Mas pronto para quem se graduou em 2010 e estava certo, CONVENCIDÍSSIMO que ia ser um internista, estou bem longe do que me tinha proposto inicialmente. O certo é que após ter começado a trabalhar no SU e depois de conseguires habituar-te à posição que ocupas na hierarquia do Hospital era mesmo isto que eu queria (com uma ou duas ressalvas inerentes à orgânica actual do SNS)
As doenças, o ritmo, os procedimentos e o desafio do diagnóstico e entreveres uma conclusão brilhante no meio de queixas indiferenciadas e... as pessoas com quem trabalho no SU são o meu tipo de pessoa: com a PDM, com ADHD "em último grau", sempre entusiasmados ao imaginar o que se esconde na lista de espera hoje, hands on approach especialmente se é laranja ou vermelho. Além do mais e acima de tudo aquela sensação de trabalho feito, de que fazes a diferença na hora. Nada bate a sensação de conseguires dar a volta a um Edema Agudo de Pulmão já que a expressão de alívio no doente é imediata.
O único downside é descobrires rápidamente que tens um limite. Não são os turnos seguidos, não são os doentes mal triados ou sem razão para entupir as urgências, é a saturação colectiva apercebida de cada vez que pedes um favor a um enfermeiro, passas um doente às especialidades ou comentas a inactividade dos teus colegas ante a monstruosa lista de espera que parece que só tu vês. Somado ao stress de teres 10 doentes sob observação com o que isso implica chamadas a fazer, procedimentos a realizar, orientações a pedir e so on an so forward...
Afasta-se um bocado daquilo que a gente vê no ER ou Gray's Anatomy ja que o ratio de ressuscitações bem sucedidas : gajas boas (doentes e colegas) : gripes é muito diferente (p'r'aí 0:1:298731648) :) mas no fundo no fundo não me vejo a fazer outra coisa
Tenho informações importantes a comunicar à OMS que podem muito bem configurar a inclusão de uma nova doença no ICD.
Verborreia crónica - doença que se caracteriza pela incapacidade do sujeito de se manter calado em situações em cujas todas as convenções sociais o obrigam a guardar silêncio para não agitar as águas que se querem estagnadas ao ponto de permitirem a proliferação de microorganismos saprótrofos (do grego σαπρός "saprós", podre + τροφος "trofos", alimentar).
Agora a sério, fico fodido... todos os dias perco uma oportunidade para estar calado! E ainda assim, com toda a experiência que tenho em analisar o porquê de estar na posição em que estou continuo sem perceber como é possível equilibrar o silêncio e a palavra sem estalar o verniz social com que aprimoradamente toda a gente se anda para a aí a embelezar.
Não é o que eu não saiba o que digo, não é isso! Aliás no "aftermath" toda a minha gente diz: "Ah e tal e o camandro, até falas bem, e coiso, mas não podes dizer isso, que tu depois fodes-te..." e fodo mesmo, normalmente têm sempre razão nesse aspecto.
Não é que eu tenha problemas nesse departamento my sex life is A-OK, mas até mesmo naquelas noites S&M mais agressivas eu posso gritar basta e voltamos à normalidade sem ressentimentos, na vida real não! Há sempre mossas ou mazelas que nem com Hirudoid®.
Qual é o problema em discutir? Porque é que as pessoas têm pruridos na hora de argumentar as suas posições, dar um murro na mesa, enfatizar via decibéis esta ou aquela posição? Afinal não é importante estar seguro das nossas convicções? Não é suposto e normal ser capaz de as assumirmos ante os outros independentemente da reacção contraditória que possam provocar? Ora de que serve sabermos o que queremos, o que acreditamos se depois na prática é tudo sujeito ao escrutínio do socialmente aceite?
Recuso ser um formatado pela sociedade! Já não tem nada a haver com a rebeldia de adolescente ou a postura de jovem que vai mudar o Mundo, been there, done that, acho que já saltei essa fase (sim considero-me um jovem), agora vou no think global, act local, e 'tou a arrumar o meu "quarto". Nesse aspecto tenho que ser coerente e actuar de acordo com o que eu penso de forma genuína, afinal só assim poderei validar a pertinência e consistência dos fundamentos que alicerçam as minhas posições.
Parece lógico, não?
Mas não é, como praticamente tudo o que me foi ensinado em criança, a realidade vem e troca-me as voltas por completo... o que o povo quer é cenas simples. Sem stress, sem confusão, sem paixão, sem ondas, cenas fáceis, vá lá. Debater dá muito trabalho, temos que pensar o que justifica a nossa atitude com premissas que muita das vezes vamos a ver e são colagens de um qualquer modelo que adoptamos por estar mais à mão ou ser mais consensual e portanto carecem de um verdadeiro alicerce que possamos expôr à violência de argumentos bem montados. E pior ainda podem levar a tomadas de atitudes que implicam alterar o esquema habitual das coisas, que então sim dá muito trabalho.
As conversas hoje em dia reduzem-se à circunstância, situações concretas sem valor e cordialidades várias decorrentes das boas maneiras que espremidas não aportam mais do que a linguagem corporal que pode deixar antever mais do que o que o diálogo per se. Por isso é frequente que quando na ausência de um buraco para se esconder quando se fala de "cenas" realmente importantes normalmente o interlocutor, que se está nas tintas para tudo o que implique trabalho, se defenda na análise da sintaxe ignorando a semântica, esta última arquitectada sobre a solidez do que acreditamos. Isto não é nada de novo, é uma arte em que a população feminina leva a palma a qualquer um dado que é frequente diálogos do estilo desde as eras das cavernas conforme veremos noutro post.
Irrita-me! Não dá para falar nada, sobre nada, que saia fora da rotina que implique algo mais do que um acenar de cabeça e um "hmmmmm, hmmmmm". Toda a minha gente até pode achar logo que quero mudar o mundo, que sou um iludido, que não vou chegar a lado nenhum, etc..., mas é que nem dão hipótese de diálogo inteligente e construtivo sobre o assunto e quando dão escondem-se nestas frases feitas que são fixes para rematar qualquer conversa sem o esforço de se debruçar sobre a questão no sentido de serem dois à procura de alternativas! A alternativa é sempre "deixa arder, que não me queima". E depois eu irrito-me!
Caso prático, isto é um suponhamos... Vamos supor que os aprendizes de um certo hospital são obrigados, por decreto de lei a aceitar serem sodomizados durante 12h por semana. Por decreto, são também excluídos do grupinho que acumula sodomia, felação e coito pagos em obscenas quantias mas que na realidade delega essas actividades aos aprendizes que também foram chulados no rendimento que obtém. Assim a condição de ser sodomizados essas 12h é ainda por cima mal paga! E como se não bastasse ninguém explica que se pode usar vaselina e que há posições em que dói menos, portanto 12h de sodomia, mal pagas e sem formação. Vamos agora supor que esses aprendizes se agrupam e descobrem que são em grande número e que portanto podem negociar e até têm no grupo quem disso faça bandeira e leve avante a vontade de contrariar a corrente. E essa pessoa trabalha e faz e agita e avança e comunica e reúne e tenta e tudo e mais um par de botas no sentido de reunir o consenso dos soon to be assholes e nada... ninguém diz nada! Ora bem das duas, três... ou todos gostam de ser sodomizados ou então são uns acéfalos? Não é que ainda se dão ao luxo de não só não ligar nenhum como ainda criticam a forma como responde a criatura que na eminência de ser sodomizada apenas quer pelo menos impôr condições?!
Não entendo, pode-me a minha verborreia crónica impede-me o silêncio e faz-me falar quando devia esta calado à espera que pelo menos para mim tragam ViscoLub.
Irrita-me! Não dá para falar nada, sobre nada, que saia fora da rotina que implique algo mais do que um acenar de cabeça e um "hmmmmm, hmmmmm". Toda a minha gente até pode achar logo que quero mudar o mundo, que sou um iludido, que não vou chegar a lado nenhum, etc..., mas é que nem dão hipótese de diálogo inteligente e construtivo sobre o assunto e quando dão escondem-se nestas frases feitas que são fixes para rematar qualquer conversa sem o esforço de se debruçar sobre a questão no sentido de serem dois à procura de alternativas! A alternativa é sempre "deixa arder, que não me queima". E depois eu irrito-me!
Caso prático, isto é um suponhamos... Vamos supor que os aprendizes de um certo hospital são obrigados, por decreto de lei a aceitar serem sodomizados durante 12h por semana. Por decreto, são também excluídos do grupinho que acumula sodomia, felação e coito pagos em obscenas quantias mas que na realidade delega essas actividades aos aprendizes que também foram chulados no rendimento que obtém. Assim a condição de ser sodomizados essas 12h é ainda por cima mal paga! E como se não bastasse ninguém explica que se pode usar vaselina e que há posições em que dói menos, portanto 12h de sodomia, mal pagas e sem formação. Vamos agora supor que esses aprendizes se agrupam e descobrem que são em grande número e que portanto podem negociar e até têm no grupo quem disso faça bandeira e leve avante a vontade de contrariar a corrente. E essa pessoa trabalha e faz e agita e avança e comunica e reúne e tenta e tudo e mais um par de botas no sentido de reunir o consenso dos soon to be assholes e nada... ninguém diz nada! Ora bem das duas, três... ou todos gostam de ser sodomizados ou então são uns acéfalos? Não é que ainda se dão ao luxo de não só não ligar nenhum como ainda criticam a forma como responde a criatura que na eminência de ser sodomizada apenas quer pelo menos impôr condições?!
Não entendo, pode-me a minha verborreia crónica impede-me o silêncio e faz-me falar quando devia esta calado à espera que pelo menos para mim tragam ViscoLub.
«I told them it was a stupid idea to stay...
Seriously?!
Picture this, four youngsters standing there, mesmerized by the sheer sight of that huge manson that blopped out of nowhere...
and I did told them not to go inside, but
noooooo,
nobody listened to me.
They never listen to me!
Chicken! Poltroon! They called me...
But I knew it. I knew it, I knew it, I knew it!
I knew it was going to happen, and then one by one they started to vanish into thin air. One by one. I never understood it it always as to be one by one? Why in this haunted houses stories everybody procrastinate what I knew, what everybody knows that always happens and you I'll find out that happened this time also. Even so... One by one they started to disappear.
Jeez...
Only God knows the chills we felt whenever another cry echoed over the decrepit wallpapered walls.
But still, when I told them not go inside, they didn't listen. I mean no good could come from houses that appear on a abandoned lot in a cold full-mooned Friday 13th at midnight, right? Nooo... they had to go inside and take a peek inside!
First Carla disappeared into a closet. I said: "Are you happy now? Can we go now?", but then again she had the car keys we had to look for her, so I shushed and kept on.
Sadly I was right from the start when I said that this could happen... we found Carla lying on a bathtub on the upper suite bathroom holding her head in her between her pretty hands with the keys jammed into her left eye!
If they were not alarmed by me before going inside you might think that this should have made them fell to their senses and scram as fast as they could from there. Nope they wanted to unravel the mystery of the bloody house! Can you believe that?
I started another rant as we went throughout the upper floor on why we shouldn't be there and why we should get into the car right about then, when Gonçalo who was just about to open the door of the library turned around laughing. not a normal laugh, you know? Kind of a giggle, like the ones that controls your mind and you can't stop... in another words an hysterical giggle.
But I couldn't blame him, he was staring at the place where his hands were supposed to be, with that crazed expression you would also have as soon as you realize that the cold chill you've felt on your wrists when you tried to turn the door, was the cold "swoosh" of a falling blade. I was going to say "I told you so" but he vanished through the trap door that opened beneath his feet, and it was the last we saw of him, as he kept hearing that giggle until the squishy noise of someone hitting the floor after a five storeys fall.When I thought that the idea was pretty clear on what was going to happen to us if we stayed there Beatriz had the funniest epiphany ever, "we should get out ofthe house!"
We were running to the door an d I was about to comment on how I told them not to go inside in the first place when you grabbed me...
I didn't saw what happened to Beatriz, I mean, I caught a glimpse of the two spikes thrusting upp from the floor impaling her but I don't know if that killed her. But if yu ask me that you but as old as having me here strapped to this Spanish-inquisition-like chair don't ou think? I say I deff..............»
His words where silenced by the falling of an axe that severed his head in two just above the jaw line. You know, even ghost have limited patience!
Venho por este meio anunciar o meu novo Credo!
SIMNHATUDÍSMO! - Sim - a - tudo - ismo ou na sua origem latina Sibittotuismus
Diz-se do movimento, doutrina e/ou escola, que põe de manifesto uma forma de vida na qual, em caso de dúvida e ante qualquer problema, questão ou matéria em debate, a postura a tomar em conta como resolução definitiva será a afirmação sem condicionantes.
Assim substituo a máxima " En caso de duda,... la más tetuda!" por " En caso de duda,... sí a todo!" (muito importante em caso de duvida...)
SIMNHATUDÍSMO! - Sim - a - tudo - ismo ou na sua origem latina Sibittotuismus
Diz-se do movimento, doutrina e/ou escola, que põe de manifesto uma forma de vida na qual, em caso de dúvida e ante qualquer problema, questão ou matéria em debate, a postura a tomar em conta como resolução definitiva será a afirmação sem condicionantes.
Não confundir com o Xintuísmo (em japonês: 神道, transl. Shintō, segunda corrente religiosa do Japão que é bastante séria e não está nada mal, por acaso), nem com o Tudismo (que é aquela que professam os que sabem de tudo e de nada ao mesmo tempo, ver blogue do meu pai - Devaneios de Vida -), nem com o Toucinho (que então se fôr do céu, é um espectaculo mas tal como o poste não tem nada a haver)
Assim substituo a máxima " En caso de duda,... la más tetuda!" por " En caso de duda,... sí a todo!" (muito importante em caso de duvida...)
(nota prévia não
tenho nada contra nenhuma especialidade médica, creio que todas são
importantes. No entanto ensinaram-me a acreditar que o importante era o doente,
não a doença, não os MCDT’s que podes pedir ou o carro que tens na garagem por
isso espero que ler isto implique um exercício de raciocínio que vá além do
exagero que uso para marcar essa posição)
Mas afinal porque
tanta merda com o Harrison? É só um exame…é só uma especialidade que vais
escolher e em qualquer uma delas recebes bem com’ó caralho! Vais em breve ter
aquele Mercedes-Benz…’tás-te aí a queixar para quê?
Ora bem acabas o
secundário e se entraste à primeira, passaste tudo à primeira, convenceste as
secretárias a dar-te os papeis correctos no prazo certo e estudaste bem o
exame, acabas este périplo aos 24 anos. E se vens de uma família humilde mas
que não teve bolsa ao contrário do teu tio que aufere o salário mínimo
nacional, mas que tem o tal Mercedes na garagem em nome do cunhado e teve
escalão A para os filhos, chegas ao final do curso com o sentimento de dever
cumprido mas a necessidade de finalmente começar a rentabilizar o curso que
implicava os Verões a virar hamburguers, em vez de ir à Suiça esquiar com os
impostos que não pagavam… E aqui começam as dificuldades e a angústia de quem
tem que estudar o texto que o Diabo redactou numa noite em que se sentia
particularmente chateado, … irritado, … bem… fodido, vá! com as almas dos que
acabavam o curso de medicina. O raças da nota vai ser a que decide se vais
ficar perto das pessoas que conseguiram aturar-te mesmo quando o teu tema de
conversa nos meses de Fevereiro, Junho e Setembro apenas conseguiam ouvir-te “rampaging
about” as mais mirabolantes variantes anatomofisiológicas que tinhas
orgulhosamente estudado para os exames, ou se vais para onde Judas perdeu as
botas e começar tudo de novo outra vez. Não tenho nada contra novas
experiências mas o resto das pessoas que escolhem cursos normais têem amigos da
faculdade que de uma maneira geral vão ficando por perto por esta ou aquela
razão ou porque simplesmente lhes apetece, liberdade que é vectada pelas 5
posições que vos separam e obrigam um a ir para Bragança e outro para Faro
(mais uma vez sem prejuízo contra uma ou outra cidade)
A mesma nota vai
determinar o tipo de médico que és e o teu lugar na hierarquia médica que com
as devidas salvaguardas (eu gostaria de ser Med Interna, Med Familia, Anestesista,
Pediatra ou Cirurgião Geral) impõem uma visão do Med de família como o nabo que
passa análises e exames de acordo com a ultima página do e-doctor patrocinado
pela Pfizer determinou ao paciente para exigir, o Med interna é uma figura
etérea, e o resto é que cura povo… Na realidade não é necessário erguer uma
estatua aos médicos (ou a mim para os que me considerem egocentrico), mas
respeito até os bichinhos gostam e é triste seres médico de família e saberes
que os teus paciente foram à urgência confirmar com outro clínico geral que não
os conhece de lado nenhum e tem apenas 15 minutos para a consulta (mas como é
do Hospital as pessoas não sabem que pode inclusive estar menos certificado que
o médico de família) se deviam tomá-los. E pior seres pior pago que o colega
que não faz noites, que não faz urgência, que se dá ao luxo de recusar doentes
que mesmo que a sua patologia principal seja da sua área basta que tenha outro órgão
envolvido que o manda para o internista. E quando eu falo de ser pior pago digo
na ordem de 100% pior pago! No entanto, como se ganha mais que o resto dos
licenciados é obsceno reclamar!
E o suporte
emocional que é necessário à nossa profissão esfuma-se…não falo de psicólogos nem
de que somos uns coitadinhos mas não acham que um médico seria muito mais
saudável se tivesse uns amigos para ir beber uns copos nem que seja de
coca-cola no final de um turno? Mas não, os que não entram nessa especialidade
trabalham em 4 sitios diferentes para alcançar um estilo de vida que os coloque
no mesmo patamar que os colegas que vêem 4 doentes por turno caramba e que
naturalmente têem tempo para discutir entre eles em que país vão comprar a nova
colecção da Louis Voiton para expiar o stress de ter visto mais dois pacientes
do que os que permitiram ao chefe de equipa agendar. E eu não quero uma Louis
Vuitton, aliás sempre achei que se quisesse dinheiro na altura teria escolhido
outra profissão e teria enriquecido sem tantas complicações ou
responsabilidade. Não digo que tem que haver um dermatologista às 4 da manhã em
todos os Hospitais mas se calhar no dia seguinte quando ele vem chega sempre
dentro de um horário fixo, exclusivo da instituição que lhe paga essas horas e
que veja os doentes que humanamente seja possível nesse horário de modo a não
obrigar as pessoas a marcar consulta no seu consultório privado dando a ideia
de que o triador, o med de família ou internista que duvidou do que poderia ser
e requisitou a sua sapiência é um pobre diabo. E já agora porque não trabalhar
em equipa? Porque é que um Ortopedista na urgência só vê trauma e depois da
meia-noite só se realmente estiver escaqueirado senão fica a curtir analgesia
porque só de manhã é que vê a fractura reduzida? Porque é que os cardiologistas
não vêm FA’s sejam elas de novo, em contexto infeccioso ou com RVR? Porque é
que os ORL só vêm um Sd vertiginoso depois de descartar se é central (que eles também
sabem fazer) por um médico de clínica geral que provavelmente só se lembra que
Dix-Hallpike determinou que 97,4444% das vezes o nistagmo era vertical em caso
central e que a manobra de uns tipos quaisquer era útil na determinação de VPPB
uma das causas mais frequentes de Sd Vertiginoso ou será que era ao contrário? Não
sei se é assim em todo lado mas a idiossincrasia da realidade não deve andar
muito longe, mudando apenas o nome da especialidade ou a maleita.
Ainda acham que é
de ânimo leve que uma pessoa estuda? Que é só por capricho que nos espumamos
contra o ridículo da PNS e as suas implicações?
Decorrente da
minha publicação anterior tinha que explicar o que é o Harrison… das 5 pessoas
que lêem o site 1 não é médica (ora bem temos eu, o meu alter-ego, o infra-ego,
o Javier e um incógnito e gentil leitor que resignado naquela noite em que não
a internet insiste em apresentar o meu blogue como hit relevante quando ele
procura “gajas boas”, que eu não conheço mas sei que existe) e para ela vai
toda minha tentativa de tentar traduzir em palavras esse momento da vida de um
jovem médico em que o Harrison é tudo e tudo é o Harrison.
No mundo real
Harrison foi Tinsley Randolph Harrison (18 Março, 1900 [“a date which will live
in infamy”] – 4 Agosto, 1978 [data que passou a fazer parte do meu calendário
de celebrações, tendo já pedido à Teresinha que nunca mais me escale esse dia
tal como o dia 11 de Set (meu aniv) e o dia 5 Junho ( que foi quando consegui
comer um Perna de Pau sem que a nata me sujasse as mãos todas]), que um dia
descendente de uma família de seis gerações de médicos que decidiu ser
professor e deixou um livro que pensava ele iria servir o propósito de
condensar numa publicação os (atenção ao título do livro) PRINCIPIOS de
medicina interna, que para os comuns mortais é uma especialidade fantasma (quem
não ouvi já: «”…medicina interna, ai! que giro, imagino que tenha estudado a
medicina da parte interna do corpo, mas eu perguntei que especialidade queria?”
– “Medicina interna, já lhe disse!” – “Hummm e isso cura o quê?”), mas que na
realidade é a especialidade que deveria (mais do que ser uma vertente não
declarada da geriatria) que se encarrega de integrar o conhecimento médico no
todo que é o humano e não nos seus constituintes como fazem ginecologistas que
altruistamente trabalham onde os outros se divertem e ignoram o que é a linha
de Ellis-Damoiseau ou as suas implicações no sistema respiratorio quando um CIN
agressivo descompensa uma insuficiência cardíaca congestiva severa e provoca
uma congestão pulmonar que leva a um derrame pleural por descompensação da lei
de Starling que regula a produção e absorção do liquido pleural presente entre
as duas folhas…
Assim ele pediu
aos seus “amiguetes” que escrevessem um capítulo para o seu famoso compêndio. Ora já o povo diz (e o comunista que há em mim valida) que “Cada cabeça sua
sentença” tendo saído uma salganhada de métodos e formas de contar uma história
que constitui o pior pesadelo para o naturalmente obsessivo-compulsivo estudantes
de medicina, habituado a estudar de forma esquemática os titânicos algoritmos
de estudo de uma doença (Doença X -> descrição geral, fisiologia,
patofisiologia, semiologia, diagnostico, tratamento, prognóstico; Doença Y
-> descrição geral, fisiologia, patofisiologia, semiologia, diagnostico,
tratamento, prognóstico; Doença Z -> … [“got the idea?”]).
E vocês dizem, qual é o problema? O Wilhem
Kempf tem que saber de cor as mil e não sei quantas páginas que tem o
repertório de sonatas de Beethoven! Estudas aquilo e pronto…
Nessas páginas
Wilhem Kempf não tem que indagar porque é que aparece # nem se isso será
relevante… porque para Beethoven, como para ele é indicativo de um sustenido e ‘tá
lá é importante, senão não estava, mas quando enfrentas o Harrison pedem-te que
atentes que os critérios da National
Cholesterol Education Program e da International Diabetes Foundation
para o Sd X incluem a medição da circunferência abdominal diferindo os valores
de acordo com a etnia em questão, assim, 94 80 | 90 80| 85 90 cm são os valores
para homem e mulher, Europeu, Sub-sahariano &Médio Oriental |Asiático,
Chinês & Sul Americano | Japonês, respectivamente. Isso é relevante??? Pode
ser caramba, não sou um nazi das coisas simples, porra, mas em que medida é que
isso me vai tornar mais apto para ser Dermatologista ou Médico de Família?
Portanto é relevante? Vão perguntar no exame? E a prevalência da miocardiopatia
de Tako-Tsubo que afecta maioritariamente mulheres pós-menopausicas submetidas
a uma forma de stress prolongado, excepcionalmente extremo stress mental ou
físico (este ultimo em apenas 20% dos casos, o que nos faz pensar que para ser
mulher e menopausica e sobreviver é preciso alcançar o estádio iluminado do
Dalai Lama) se calhar este é importante (e ‘tou a falar a sério, esta porra
mata mesmo! http://www.takotsubo.com/) mas será importante garantir que o recém médico o saiba? O mesmo
que está a fazer este exame para em breve vai abraçar uma especialidade e
deixar para trás (infelizmente é assim) grande parte do que aprendeu sobre clínica
geral, chegando ao ridículo de estar a praticar dermatologia e lembrar-se desta
merda que o diferenciou do 97% que tirou o número 2 que escolheu a outra única
vaga de Neurorradiologia, mas não saber que sibilâncias respiratórias presentes
numa qualquer atopia que lhe chegue às mãos por eritema exuberante se trata, alem
de com corticoides (de acção rápida) como é seu apanágio para qualquer maleita
dermatológica, com beta-agonistas de acção rápida como broncodilatador por
excelência? Tanto que precise de chamar um médico, que ele já não é?!
E nestas
cogitações passas tu uma Primavera em que os teus amigos telefonavam no
princípio a perguntar se querias ir dar o primeiro passeio fotográfico pelos
campos recém floridos e tu respondias que não porque ainda não leste como que o
gene XPTO é responsável pela doença que mata um habitante por cada 25 anos no
Oeste Americano! Um Verão em que apenas dois amigos e a tua namorada te
perguntam a medo se queres ir dar um mergulho atrás de um escudo anti-motim com
medo de apanhar com o Harrison voador! Um Outono em que só as pessoas com quem
vives se aproximam para dar-te banho com uma mangueira de alta pressão ou para
empurrar-te uma refeição quente por baixo da porta para não verem o bicho hipersalivante,
barbudo, fotofóbico curvado sobre fotocópias A3 roídas e escrutinadas até ao
último minuto antes do exame, nesse dia prensadas e decoradas com as cores do
arco-iris em versão Pelikan fluorescent marker.
Os que tiram mais
de noventa vão achar isto um exagero. Claro o terror que os pais expressão ao
psiquiatra que visitam pela PTSD que os assola desde que os viram a chorar na
relva a rezar com ar de quem entra em transe impede-os de os recordar que só
com choques eléctricos os conseguiram trazer à realidade, e como na realidade
eles podem escolher uma especialidade que dá dinheiro sem fazer nada
(aparentemente o principal critério de quem escolhe nos lugares de cima [e
digo-o consciente que há excepções e que mesmo que tirasse 100% jamais faria
Dermato ou primos]. Mas também são sempre aqueles que durante a faculdade te
diziam que o exame tinha sido horrível e depois abanavam sub-repticiamente o 20
na cara do teu suado 15, portanto também não é de esperar outra coisa dos
representantes do mínimo denominador da baixeza académica.
Os que tiraram
uma boa nota vão rir porque na verdade é parecido com o que viveram num registo
cómico, mas real para os filhos da puta que tiraram 90’s e..., e vão escolher
anestesia porque querem ter um sitio tranquilo onde apenas os beep’s dos
aparelhos que decoram o bloco incomodem a leitura do diário económico ou da
Hola! Versão tablet/smartphone. E afinal eles sempre puderam fazer anestesia
noutro sítio que apenas lastimam porque não havia sinal GPRS
Os que ficaram
aquém das expectativas vão dizer que era assim que deveriam ter feito para conseguir
a posição 456.
Os que se
espalharam redondamente, nunca vão ler esta crónica porque só a palavra
Harrison no título provoca ondas de raiva que implica camisas brancas que
apertam atrás e injecções de clorpromazina.
Aqui há dias por intermédio
de “Deus” tropecei num site chamado “O meu amigo Harrison”. Neste site, uma
torturada alma, como eu (que egocêntrico estou hoje, como nós) que enfrentamos
a hercúlea tarefa de se candidatar a um lugar ao sol na escala filogenética da carreira
médica ante o mais absurdo dos trabalhos que os olímpicos senhores nos impõem,
explana truques e dicas para descrita antítese do “savoir faire” que nos é
exigido como profissionais.
Como sempre na minha vida o tropeção ocorreu meses depois do momento em que teria sido útil eu precisar dele, tornando a perfeita imagem de uma fonte de ambrósia eternamente jorrando com virgens voluptuosas que é para um mísero condenado à PN encontrar o Harrison sistematizado e sumariado com critérios que fariam empalidecer tão célebre defunto sábio da Medicina Interna, numa ode à ironia descrita na perfeição nos versos da Alanis Morrissette “[…]it’s a free ride when you’ve already paid/ it’s the good advice that you just didn’t take […]”. Para que me entendam os leigos é como encontrar uma bíblia na série de livros “… for dummies”… ‘péra lá e como é que eu explico aos laicos??? (bem vocês devem fazer uma ideia, senão toca a ir à Fnac comprar uma bíblia, para depois…got the picture?)
E tudo isto para
quê? Porque como na canção supra citada “life has a funny way, of bringing you
down when you everything’s OK, and everything blows in your face/and life has a
funny way of bringing you up when you think everything’s goin’ wrong” (o leitor
já deve ter percebido que ‘tou a ouvir Alanis nesta altura) depois da hecatombe
que foi o exame (e aqui, os leitores leigos, têm que entender hecatombe como
algo drástico mas que nada tem a haver com a capacidade do médico, como explicarei
à frente, e, os cristãos, que Deus não te sussurra as respostas ao ouvido E EU
FIZ UM O EXAME NUM SEMINÁRIO E SÓ ELE SABE COMO ATÉ A ELE EU PEDI AJUDA, portanto
se ele não estava lá vocês têm que pôr em causa o principio da ubiquidade do
Senhor)1 … onde é que eu ia… ah! depois da hecatombe ver o trabalho
realizado pelo penado Daniel Pinto, lembrou-me que este exame me implicou
tantas esforços, tantas penas que deixei de escrever como forma de expugnar o
fel que me corrói as entranhas e portanto, se bem que fazer a merda do exame me
soube como o tramadol depois de assegurado o quadro de colecistite aguda mediante
as mãos do cirurgião e o manipulo com o cristal de quartzo e o seu efeito “piezoelectrico”
de um ecógrafo, escrever está a ser para mim hoje a cara de satisfação dos
pacientes já sob efeito de propofol&amigos a milímetros de distância da
enorme “prateleira” da anestesista que de forma recorrente entra nas minhas
fantasias “cirúrgicas” mais arrojadas.
Recuperado assim da
minha letargia literária senti a urgência de rectificar o trabalho de resto
impecável do pobre diabo e sugerir uma alteração urgente ao título da página.
O
meu amigo Harrison…pfff que raio de eufemismo é esse? O cabrão do livro só pode
ser irmão!!! Não daqueles pequeninos, fofinhos que as colegas que estão a ler a
crónica (como se conhecesse alguma que o fizesse) e vão escolher pediatria
estão a imaginar. Não meus amigos, é um daqueles irmãos mais velhos, sadicamente
retorcidos que te incitaram a experimentar uma malagueta injectada com piripiri
e recoberta de wasabi e tiram
fotografias para pôr no facebook e põem o vídeo no youtube de ti à procura de água que não encontras
numa garrafa para o efeito já que fora substituída pelo mesmo realizador por
vodka saída de uma destilaria rural das terras perdidas de Tchornobil' (que
para os factoid freaks significa Absinto) ou Chernobyl.
Alguma vez podia
ser nosso amigo algo que nos obriga a pôr de parte amigos, sol, família, saúde mental,
namorada, trabalho, férias em prol de um sofrido esforço de memória além da
capacidade dos melhores discos rígidos do mercado? Alguma vez algo que confunde
os dias num suceder de capítulos lidos para aqueles que já habituados a
encornar “infumables” devaneios de um jurássico Sr Prof Dr
Fulano-com-F-maiúsculo e que eventualmente mais cedo ou mais tarde participará
desse Jurassic Club ou num suceder de linhas descodificadas para o comum dos
estudantes de medicina que eventualmente engrossará as fileiras dos que
realmente praticam/ensinam Medicina, pode ser um amigo?
E naturalmente surge a imagem do irmão-cabrão que todos temos na família
(seja ele irmão, primo, tio, cunhada, frequentemente sogra(o), …) e neste
momento todos percebem a ânsia do autor do site que tentando animar o pobre
estudante a sorrir usa um oxímoro2 em jeito de título do site!
Fica aqui uma séria sugestão para mudares o título Daniel Pinto
1Já sei já sei Deus escreve direito por
linhas tortas…
2 oxímoro |cs| s. m.
Combinação
engenhosa de palavras contraditórias ou incongruentes, como bondade cruel,
geralmente para efeito epigramático. = OXÍMORON














